Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 07/08/2020

Hannah Arendt, em sua obra “A Banalidade do Mal”, alude que o pior mal é aquele visto como corriqueiro e cotidiano. Sob essa ótica, ao analisar os dilemas da doação de órgãos no Brasil, entende-se que o pensamento da política é constatado tanto na teoria quanto na prática, e a realidade segue intrínseca ao país. Nesse sentido, têm-se os fatores de agravamento do fenômeno, tais como a ausência de infraestrutura e negativa familiar.

Em primeiro plano, evidencia-se a série brasileira “Sob Pressão”, na qual é abordada o cotidiano turbulento dos doutores Evandro e Carolina, com equipamentos velhos e ausência de infraestrutura para a realização dos procedimentos de transplante. Desse modo, este cenário tem sido materializado na conjuntura hodierna, haja vista que muitos hospitais se encontram em total estado de precarização, devido a falta de investimentos no armazenamento dos órgãos ou atraso na notificação da morte encefálica do finado. Assim, órgãos que poderiam ser doados, não são reaproveitados.

Outrossim, o filósofo grego Sócrates, responsável pela teoria do Mito da Caverna, relata que a humanidade vive presa a uma caverna chamada realidade, em que está enraizada costumes e pensamentos que tendem a levar a sociedade ao regresso. A partir de tal abordagem, pode-se fazer um paralelo à rotina contemporânea de muitos cidadãos, uma vez que, a desinformação a respeito do caso é um dos fatores que corroboram para a negação familiar dos finados. Assim, torna-se necessário que esta incompreensão seja combatida para que mais vidas possam ser salvas.

Portanto, o Ministério da Saúde deve, através de políticas institucionais, disponibilizar recursos monetários suficientes aos hospitais, para que haja o aumento da infraestrutura no armazenamento dos órgãos e nos locais de pronto socorro, garantindo assim, uma maior eficácia dos procedimentos. Ademais, cabe ao Ministério da Educação criar políticas públicas que promovam publicidade informativa sobre o tema, ressaltando uma sociedade empática, em contraposição com os ideias de Hannah Arendt.