Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 10/08/2020

Inércia é uma lei da física a qual um corpo tende a permanecer em repouso ou movimento retilíneo e uniforme, a menos que haja uma força externa sobre ele. Desse modo, é fato o estado de inércia que se encontra o cenário de doações de órgãos no Brasil, mantendo-se em repouso. Portanto, a falta de infraestrutura para a realização de tal procedimento e a falta de instrução da população a respeito da pauta contribuem para a problemática.

A priori, deve-se inferir a respeito da situação do sistema de saúde brasileiro na realização de transplantes. Segundo o filósofo grego Platão: “As pessoas tendem a cometer erros quando não existe um instrumento regulador “. Isto posto, é notório o papel que o Estado detém em fornecer os mecanismos necessários para garantir o pleno funcionamento de seus sistemas públicos. Entretanto, segundo o IBGE, a maioria dos órgãos que ficam disponíveis para doação não são aproveitados pela carência de recursos na realização de transplantes. Por conseguinte, a má administração dos recursos da nação culmina na violação de um princípio fundamental nas leis que a regem, o direito à vida.

Outrossim, a falta de instrução da população em relação ao procedimento funciona como catalisadora para o problema. Isso ocorre, segundo a teoria Habitus, do sociólogo Pierre Bourdieu, onde afirma que estruturas sociais preexistentes são incorporadas pelo indivíduo, mesmo que involuntariamente, durante o processo de socialização. Portanto, o grande misticismo e tabu criados sobre a temática desde o século XX ecoam na atualidade e fazem com que grande parte dos cidadãos optem por permanecer com seus órgãos mesmo após a morte, onde serão úteis apenas para bactérias decompositoras.

Diante dos fatos supracitados, é de suma importância desenvolver o número de órgãos doados com sucesso no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde otimizar o sistema de doação do país, através do desenvolvimento de uma rede eficaz de transporte dos órgãos a serem doados, além do fornecimento dos materiais cirúrgicos necessários para o transplante, a fim de garantir que a vontade do doador e do receptor sejam atendidas. Ademais, é papel das grandes mídias a realização de campanhas televisivas e radialistas que visem desmistificar o transplante, ao fornecer as informações necessárias a respeito do procedimento, com o intuito de estimular e desenvolver o sentimento altruísta do brasileiro e aumentar o número de doadores. Só assim, faremos com que o cenário da doação de órgãos no Brasil saia do repouso.