Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 24/08/2020

Na animação ganhadora do Oscar “Toy story 4”, é retratado um universo, no qual os brinquedos possuem vida. Em uma certa parte do filme o boneco Woody realiza uma das ações mais nobres dos humanos, ele doa uma pequena parte do seu corpo para uma boneca. Fora da ficção, mesmo com várias políticas públicas, ainda existem muitos impasses no que se refere a doação de órgãos no Brasil. Logo, nessa perspectiva torna-se indispensável analisar os fatores que contribuem para o agravamento da problemática. Destaca-se a desinformação e o paradoxo entre a solidariedade e o luto dos familiares.

Em primeiro lugar, é certo que existe um grande desconhecimento da grande massa no que se trata o processo de transplante de órgãos. Segundo o escritor inglês Charles Caleb Calton" a má informação é mais destrutiva que a não informação". Sob o mesmo ponto de vista, diversas ideias preceptadas infelizmente são divulgadas de modo frenético nas redes sociais, ajudando a distorcer elementos fundamentais para o aumento do número de doaderes, por exemplo, o número de pessoas que um único corpo pode ajudar. Por consequência, as pessoas criam uma imagem deturpada desse ato tão essencial.

Ademais, a relação entre solidariedade e a dor da família em perder um parente é muitas vezes decisiva para que todos os procedimentos de autorização sejam realizados. De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), a chamada “taxa de negação da família", em 2014 ficou em 46%, apenas 1% menor que em 2013. Tendo em vista esses índices, é perceptível que as famílias no difícil momento de lidar com a morte acabam não autorizando a doação. Para o escritor tcheco Franz Kafka “a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”. Em paralelo com a ideia do autor, o ato altruísta de dar a permissão para retirada dos órgãos é estremamente nescessário para que o número de pessoas na fila de espera por transplante diminua, assim garantindo um importante direito universal: a saúde.

Portanto, é mister que o Estado tome previdências para amenizar o quadro atual. Urge que o Ministério da educação em parceria com as redes de tv nacionais, através de um programa de ensino, incentive debates nas salas de aula com o tema “Por que é tão importante doar órgãos?” . Além disso, será investido capital para a criação de uma série de vídeos informativos que passaram na tv em horários nobres, dessa forma a informação será democratizada e totalmente verídica. Somente assim, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, os impactos nocivos, e assim como na história do boneco Woody a solidariedade vai prevalecer.