Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 15/08/2020

“A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”. Essa máxima dita pelo escritor Franz Kafka resume a doação de órgãos, ato de suma relevância para aqueles que sofrem falência de algum órgão. Contudo, tal atitude enfrenta alguns obstáculos, no que diz respeito a sua difusão na sociedade. Assim, é lícito afirmar que a falta de investimentos contribui para a perpetuação desse cenário negativo.

A priori, convém ressaltar que, segundo Émille Durkheim , a solidariedade social é fruto da consciência coletiva. Tomando como norte a ótica do sociólogo, é essencial que a população tenha conhecimento sobre o procedimento e importância da doação de órgãos para que ela se acentue. No entanto, o cenário brasileiro é diferente e a falta de informações causa a negação da doação. Dessa maneira, os familiares acabam recusando tal ação devido à insegurança frente ao processo, já que em casos de morte encefálica é obrigatória a autorização deles.

Outrossim, é imperativo pontuar que de acordo com os dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos – ABTO – a falta de investimentos e de equipes especializadas nessa área também é um empecilho. É indubitável que, por conta da sensibilidade dos órgãos, seja exigido um ágil e bem preparado meio de transporte, já que o doador pode estar longe do receptor e essa unidade corpórea exige cuidados e condições peculiares. No entanto, aviões e helicópteros estão restritos a uma camada do corpo social, sendo quase inexistentes no Sistema Único de Saúde – SUS – e os que existem apresentam baixa infraestrutura para receber e transportar os órgãos.

Destarte, a partir dos fatos supracitados, fica evidente a premência de intervenções no atinente ao dilema da doação de órgãos. Portanto, cabe a Polícia Federal, em parceria com o Poupa Tempo, formular uma nova carteira de identidade que contenha a escolha do indivíduo de ser doador, por meio da associação com hospitais especializados nessa área da saúde, para que não seja necessária a autorização da família e se torne mais fácil a identificação do doador. Essa atitude deverá focar, principalmente, na dispersão de ideias a respeito da doação, de forma que se torne mais recorrente esse assunto. Ademais, o Ministério da Saúde, em conjunto com a mídia, deve disseminar campanhas publicitárias e informações, além de, junto à ABTO, exigir mais investimentos na esfera de transplantes, lançando uma proposta ao Governo Federal. Por conseguinte, o número de doadores tende a aumentar e a solidariedade se tornará a base do respeito ao próximo.