Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 26/08/2020
Compreendida como uma ação altruísta realizada por pessoas durante suas existências ou após os seus falecimentos, caso este seja cerebral, a doação de órgãos é um fenômeno que objetiva salvar vidas de outros indivíduos que, devido à falência de alguma parte das suas unidades corporais, podem vir a óbito. Entretanto, embora seja uma atitude filantrópica necessária, a sua realização é pouco aceita pelas famílias que, no momento, perderam o ente, potencial doador. No Brasil, apedar de o número de transferência de órgãos ser responsável pela ocupação do país no segundo lugar do ranking mundial de doação, a pátria, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), ainda, não conseguiu superar a meta de doadores efetivos por milhão de habitantes. Assim, compete ao governo brasileiro investir em medidas que solucionem esse dilema nacional da doação de partes do sistema humano.
Nesse contexto, destaca-se como obstáculo à eficiente doação de órgãos no Brasil, a falta de conhecimento acerca do tema por certos brasileiros, sobretudo, aqueles, cujo familiar faleceu. Essa ignorância deve-se, especialmente, à baixa divulgação do assunto, por parte do governo, no território nacional. Soma-se a isso as questões religiosas, logo, as crenças da maioria da população brasileira, que, em geral, acredita que se o seu ente está em uma situação enferma, cabe apenas ao criador onipotente optar ou não pela cura. Dessa forma, conversar sobre a doação de órgãos no ambiente doméstico torna-se um tabu, e, assim, quando algum parente vem a óbito, a família, conforme lei, decidirá sobre a doação de órgãos do falecido, mas por não ter tido o diálogo, na maioria das vezes, ela opta pela alternativa conservadora de não doar.
Em consequência disso, tem-se a sobrecarga na fila de espera para o recebimento de órgão e o sofrimento dos familiares e do indivíduo que necessita da doação. De acordo com o documentário brasileiro, Anjos da vida – em busca da doação de órgãos, apenas 35% dos potenciais doadores tornam-se efetivos. Desta maneira, percebe-se que muitos possíveis donatários acabam falecendo, em virtude da demora de se adquirir o órgão que precisam. Ademais, vale destacar que, devido aos dilemas da doação, a meta da ABTO torna-se, cada vez mais, difícil de ser cumprida.
Portanto, objetivando solucionar os embargos da doação de órgão no Brasil, compete ao governo federal, especialmente ao Ministério da Saúde, estimular o ato de doar e esclarecer a população sobre como e quando ocorre o processo filantrópico. Essa ação deve ser feita, por meio de campanhas regulares nos veículos midiáticos, como televisões e mídias sociais, incentivando também, o diálogo familiar acerca do tema.