Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 24/08/2020

O mito da caverna, alegoria escrita por Platão, explica a evolução do processo de conhecimento. Segundo ele, os seres humanos se encontram prisioneiros de uma caverna, em que estão habituados somente a ter uma ilusão do que veem como se fosse a verdadeira realidade. De maneira análoga ao presente, a questão dos dilemas da doação de órgãos pode ser bem representada pelo mito da caverna, visto que esse é um grande problema que vive às sombras da sociedade, em razão da falta de debates sociais e a falta de atuação estatal.

A priori, é necessário ressaltar que a cultura de não doar infere diretamente como promissora do problema, na medida que reflete na falta de órgãos disponíveis para transplante. Consoante a esse pensamento, o filósofo alemão Hans Jonas diz que uma sociedade saudável deve ser capaz de reconhecer e modificar suas enfermidades sociais, de modo que haja resolução da problemática com a quebra do ciclo. Nesse contexto, haja vista que a um dos impasses para que a problemática perpetue está na cultura social e a falta de debates sobre importância da doação para salvar vidas. Desse modo, é necessário a implementações desses debates para gerar consciência social.

Além disso, faz se mister destacar que um dos dilemas para a doação de órgãos está na baixa atuação estatal. Neste prisma, o filósofo iluminista Jeans-Jacques Rousseau, na sua obra ‘‘Contrato Social’, afirma que o estado é responsável por viabilizar ações para o bem-estar coletivo. À luz disso, uma vez que o estado se isenta dessa garantia por não aplicar políticas públicas que promovam a melhora dos dilemas da doação de órgãos, ocorre a quebra desse contrato elaborado junto à sociedade, que impede da melhora das condições dos hospitais públicos para os transplantes. Dessa forma, é imperativo a reformulação da postura estatal urgente.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Nesse viés, o Ministério da saúde junto ao Estado devem criar medidas de investimentos em campanhas educacionais, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmera dos Deputados. Nela deve constar que deve haver propagandas e campanhas que promovam uma consciência coletiva sobre a importância dessa doação para outras vidas, com fito de gerar uma mudança no comportamento social e aumentar o número de doações de órgãos, sabendo que o Estado tem um papel essencial na intervenção deste impasse social.