Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 19/08/2020
Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil tem a maior aceitação familiar quanto a transplante de órgãos na América Latina. Embora seja uma conquista, o problema da doação de órgãos continua pertinente, visto que na sociedade contemporânea o tema se vê fora de pauta nos quatro cantos do país. Dessa forma, em razão do silenciamento e da lacuna educacional, emerge um problema complexo, que precisa ser revertido.
Em primeira análise, é preciso salientar que a falta de debates é uma causa latente do problema. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Diante disso, verifica-se uma lacuna em torno dos debates sobre a doação de órgãos, que contribuir para com a falta de conhecimento da população sobre a questão, tornando a expectativa de vida de quem precisa de um processo como esse muito mais incerta, colocando esses indivíduos em uma situação de impotência. O que deixa a resolução do empecilho mais dificultada.
Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a omissão das escolas. De acordo com o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob essa lógica, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange à realização de transplantes, verifica-se uma forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem comprido seu papel no sentido de reverter e prevenir o problema, visto que não se tem um pensamento inclusivo de temas como esse em aulas de matérias já existentes, como biologia e sociologia, por exemplo, para que os alunos desenvolvam um olhar solidário e posteriormente se tornem novos doadores. Desse modo, percebe-se a negligência das escolas como um perpetuador desse quadro deletério.
Assim, medidas são necessárias para conter o avanço da problemática. Destarte, com o intuito de mitigar os danos causados pela falta de doação de órgãos no Brasil, que O Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação e Cultura, elaborem campanhas nas escolas e nas redes sociais ao mesmo tempo, por meio de verbas governamentais, com o intuito de tornar visíveis para toda a população os transplantes de órgãos que acontecem anualmente em território brasileiro. Essas campanhas devem ter como interlocutores os alunos e seus pais, para que se conscientize várias gerações de uma só vez, e ,portanto, crie-se no futuro da nação um olhar consciente e solidário para com os demais habitantes do planeta. A partir dessas ações, poderá se consolidar um Brasil melhor.