Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 20/08/2020

O advento da Segunda Guerra Mundial foi o calcanhar de Aquiles para o refinamento no âmbito da medicina, em especial, para a doação de órgãos. Não obstante, dois dilemas impedem quem esse ato seja realizado de maneira plena: a recusa pelos parentes, bem como a falta de informação  às famílias.

Em primeira instância, a alteridade é fator imprescindível para a sociedade brasileira. Nesse âmbito, o documentário Anjos da Vida retrata importância dessa atitude para a vida do receptor, além da dificuldade de aceitação pelos  familiares, sendo que cerca de 40% dos tais ainda negam. Nesse sentido, à mercê da morte encefálica - cujo coração e demais órgãos continuam em funcionamento - os sujeitos acabam por negligenciar a informação médica por visualizarem a doação de órgãos  uma espécie de desistência da vida do ente querido, cujos fatores religiosos contribuem para tal fundamentação. Dessa forma,   o sofrimento da família faz com que os tais tirem conclusões precipitadas em detrimento de uma nova esperança para os enfermos.

Outrossim, a falta de informação destinada aos familiares que, majoritariamente ficam alheios à possibilidade em ajudar o próximo, é entrave para a  saúde dos necessitados. Tal fator coloca em xeque o pensamento do sociólogo Émile Durkheim, o qual compara o corpo social como um “organismo vivo”, cuja manutenção das partes contribuem para o bom funcionamento do todo. Destarte, a falta de informação para os entes queridos e até mesmo aos indivíduos propensos à morte cerebral, dado que estes têm poder de escolha,corrobora graves impactos à demanda de enfermos, haja vista que, segundo a Agência Brasil, 44 mil pessoas aguardam transplante de órgãos. Destarte, o número desproporcional de doadores ante os receptores materializa o déficit de informações destinadas à população e, solidifica, também, a utopia de uma população cordial.

Urge, portanto, que medidas sejam implementadas para a resolução da problemática. Compete ao Ministério da Saúde elaborar um projeto de simpósios, entregue à Câmara dos Deputados. Tal ação será viabilizada por meios midiáticos, como internet e televisão, e redigida por profissionais no ramo da saúde, a exemplo de médicos e enfermeiros, a fim de interiorizar o viés de alteridade à todos os cidadãos, além de informá-los  dos procedimentos inerentes à doação de órgãos. Espera-se, com essa ação, a diminuição da recusa pelos familiares, o esclarecimento da doação de órgãos aos cidadãos brasileiros e, por fim, o uso pleno dos avanços da medicina, viabilizados pela Segunda Guerra Mundial.