Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 07/09/2020
Durante a década de 60, ocorreu o primeiro transplante de coração do mundo, na África do Sul. Tal feito mostrou a possibilidade de salvar vidas por meio de órgãos vitais à saúde humana. Nesse sentido, mesmo com os avanços médicos ao longo das décadas, no Brasil, ainda há dificuldades quando mencionado sobre a doação de órgãos, o que pode ser vinculado aos mitos sobre os procedimentos e a ausência de debates sobre o tema. Sendo assim, é necessário que se busquem soluções eficazes.
A princípio, vale destacar que a doação de órgãos é um tabu. Por ser um tema diretamente ligado à morte, diversas famílias preferem não comentar sobre o assunto para não pensarem no luto. Porém, essa atitude contribui para que a desinformação sobre os procedimentos, além da a vontade do parente não seja discutida. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, cerca de 43% das famílias recusam doar os órgãos do falecido, comprovando a ausência de conversa entre os seus membros.
Outrossim, a propagação de mitos sobre os procedimentos de doação de órgãos é notória. Aliado à falta de debates, a ideia de que os transplantes podem descaracterizar o paciente e deixá-lo irreconhecível para o seu velório predomina socialmente. Tal visão, apesar de ultrapassada, é pouco rebatida e contribui para a sua perpetuação na comunidade. Desta forma, para ajudar a combater essas mentiras, o hospital Albert Eistein elaborou uma página específica em seu site sobre os principais mitos e verdades das doações de órgãos.
Portanto, desenvolver a área médica para ajudar mais pessoas é essencial, mas precisa da aceitação social para seu sucesso. Sendo assim, o Ministério da Educação, em parceria com as secretarias de saúde dos municípios, deve divulgar o dia da doação de órgão nas escolas, por intermédio de conversas com profissionais da saúde e pessoas transplantadas, debates interdisciplinares e filmes que ilustrem as dificuldades de encontrar doadores, a fim de fomentar o senso crítico dos alunos e, consequentemente, dos familiares.