Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 28/08/2020
No Egito Antigo, após a morte, os egípcios retiravam alguns órgãos e os armazenavam em vasos canópicos, pois acreditavam na ressurreição. Na hodiernidade, o apego ao corpo ainda é observado, seja devido a religiões ou tabus, o que faz com que a prática da doação de órgãos seja cada vez mais difícil de ser realizada, embora a sua demanda cresça a cada ano. Faz-se necessário, portanto, debater os aspectos econômicos e sociais da questão, a fim de atenuá-la.
Diante desse cenário, é importante ressaltar como a falta de investimentos governamentais atrapalha o processo de doação de órgãos. O Brasil carece de um sistema amplo e eficaz para cuidar dos potenciais doadores, o que pode causar uma diminuição na quantidade de transplantes efetivados. De acordo com dados do jornal “Globo”, havia, em 2019, 45 mil pessoas na lista de espera, contra pouco mais de 6 mil doadores. A burocracia e a ausência de recursos tende a aumentar ainda mais essa disparidade, levando à morte inúmeros cidadãos em todo o território nacional.
Por conseguinte, ainda convém lembrar a falta de conhecimento da população acerca do tema, o que, juntamente com o tabu estabelecido, impede a execução de transplantes. Muitas vezes, devido à pouca abordagem do assunto nas mídias, as pessoas não adquirem conhecimento sobre este, o que as leva a impedir que a doação ocorra. Segundo o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento acerca do mundo. Assim, a ausência de debates cria “muros”, inviabilizando o processo devido a concepções equivocadas, colocando inúmeras vidas em risco e agravando a problemática.
É perceptível, dessa forma, que a doação de órgãos ainda apresenta entraves na contemporaneidade e, por isso, é imprescindível que o Governo auxilie os profissionais por meio da disponibilização de mais recursos ao setor de saúde, permitindo a manutenção de equipamentos e melhoria da infraestrutura, a fim de amparar os potenciais doadores e assegurar a realização adequada do processo. Ademais, é necessário que a mídia, como formadora de opinião, discuta o tema por meio de novelas e propagandas, auxiliando a retirar a imagem negativa da questão. Dessa maneira, será possível, minimizar o problema, assegurando para que mais pessoas possam ser assistidas em todo o país.