Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 31/08/2020

Com o desenvolvimento da medicina no decorrer do tempo, a demografia global passou a sofrer mudanças, e desde sua segunda fase de transição a taxa de mortalidade caiu cada vez mais. No entanto, apesar de está inserido nesse meio, o Brasil perpassa por embates que dificultam o avanço na área da saúde, e um deles é a doação de órgãos. Sendo assim, cabe a análise de como a burocracia legislativa nacional junto a desconfiança advinda da desinformação faz com que o processo vital para inúmeras pessoas não ocorra em grande parcela das vezes.

Mormente, a atual legislação brasileira põe à família autorizar a doação dos órgãos do indivíduo em questão, por mais que esse, em vida, tenha relatado o desejo de que isso acontecesse e/ou até deixado por escrito. A exemplo disso, no ano de 2019 cerca de metade das famílias recusaram-se a  autorizar a doação, de acordo com o G1, o que representa um dantesco empecilho quando diz respeito não só ao avanço medicinal no país, mas principalmente ao trabalhoso percurso que envolve salvar vidas. Dessa forma é evidente que a mudança nessas medidas hodiernas que regem essa doação no território do país corroborariam para uma rede de transplantes mais eficiente.

Ademais, na série “Grey’s Anatomy” é constantemente visto um cenário em que os familiares do paciente encontram-se em estado relutante no momento de autorizar a doação dos órgãos, e no contexto brasileiro essa cena transpassa o meio ficcional. Isso se deve, em partes, pela falta de informação da família, como afirmou Paulo Manuel Fernandes, vice-presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos. Tal situação ocorre uma vez que o assunto normalmente não é debatido em instituições formadoras de opiniões, o que faz com que os familiares fiquem sujeitos a tomar uma decisão importante (sobre a qual não tem sabedoria) em um momento sensível.

Portanto, diante das problemáticas apresentadas à respeito da legislação e da desinformação, vê-se a necessidade de modificar o âmbito falado. Assim, cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública em parceria com Ministério da Saúde (MS) desenvolver um cadastro nacional que englobe a doação de todos os órgãos possíveis, para que os potenciais doadores possam garantir a ação empática mesmo após inconsciente, objetivando que a família não precise tomar a decisão final. De mesmo modo, cabe ao Ministério da Educação junto ao MS promover a discussão sobre o tema no meio educacional, por meio da inserção deste na grade curricular de biologia, bem como na realização de palestras, afim de que seja possível mais pessoas notarem a importância da doação e terem discernimento acerca dessa. Posto isso, com os dificuldades amenizadas, espera-se que haja um aumento no número de doadores e a maior garantia de que seus órgãos sejam usados.