Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 26/10/2020

No filme “Sete Vidas”, estrelado em 2008, é relatado nas cenas do longa a importância da doação de órgãos, e como um simples gesto pode ajudar a salvar a vida de outras pessoas. Fora da ficção, a realidade apresentada não é diferente, visto que no Brasil ocorreu-se um aumento de 63,8% nos últimos anos, na quantidade de transplantes realizados, por mais que o tema ainda seja motivo de debates e questionamentos. Nesse contexto, há dois fatores que não podem ser negligenciados, como a falta de informações acerca dos benefícios desse ato e a carência nas estruturas para as operações.

Em primeira análise, cabe pontuar que mesmo com uma grande demanda de divulgações midiáticas e campanhas no que concerne à doação de órgãos, muitas famílias ainda sentem-se indecisas em ajudar, por não saberem a quem será destinado ou por alimentarem a esperança da recuperação do paciente em estado terminal, como a morte encefálica, por exemplo. Uma prova disso está em um dos episódios da série médica “Greys Anatomy”, que retrata o receio de uma mãe em permitir que seu filho, já morto, seja doador; apenas quando é informada por uma médica a respeito dos pacientes que necessitam dos órgãos, é que resolve autorizar. Assim, enxerga-se um dos fatores que diminuem o contingente de doadores e a necessidade da disseminação de conhecimento com relação aos transplantes de órgãos.

Em segunda análise, vale ressaltar que mesmo o Brasil sendo um dos países que mais acompanha a evolução dos procedimentos médicos, ainda é evidente que a situação estrutural dos hospitais e a grande quantidade de pessoas esperando para receber órgãos, caracterizam um desequilíbrio que delimita o sucesso dos procedimentos realizados. Ademais, de acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), cerca de 70% dos órgãos doados se tornam inviáveis devido à carência de matérias e infraestrutura necessários para a realização de transplantes: ventilação mecânica, bolsas de sangue, estruturas que mantenham a temperatura corporal. Frente a isso,  a legalidade que o governo oferece através de leis, é frustrante diante da falta de recursos.

Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, proporcionar a solicitação de medidas para o aumento de ações que busquem conscientizar a população, por meio de palestras com profissionais da saúde, a fim de ensinar sobre o processo de doação de órgãos e a demanda de receptores esperando, mostrando a necessidade de diálogos com os familiares para tratar da importância deste. Outrossim, também é imprescindível o aumento de verbas destinadas aos materiais necessários para se realizar um transplante eficiente, para que desse modo, os problemas que impedem o acompanhamento, social e estrutural, na evolução dos procedimentos médicos, sejam sanados.