Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 01/09/2020
O Brasil tem como dificuldades explicitas na área da saúde referentes aos transplantes de órgãos para os próprios cidadãos, prejudicando a continuidade da vida dos indivíduos. Assim, a formação cultural brasileira, com influências nas tradições religiosas e históricas de preservação da memória e do respeito aos cadáveres dificulta o consentimento dos familiares para permitir a retirada e doação dos órgãos. Portanto, a doação de órgãos é responsável pelo avanço científico na medicina e possibilitando o prolongamento da expectativa de vida de toda a sociedade.
Em primeira análise, a colonização brasileira teve como contribuição a influência da companhia de jesus, instituição ligada a igreja católica de Roma com o objetivo de catequizar os habitantes dos territórios “descobertos”, contribuiu para os rituais de despedida e de rememoração dos mortos, como o dia de finados. Dessa maneira, o imaginário da sociedade é formado pela perda e luto, no sentido psicanalítico de Sigmund Freud, faz com que a rejeição de retirar os órgãos do parente recém falecidos, já que a legislação brasileira só permite a extração dos órgãos com a permissão familiar, seja constante em todas as esferas sociais.
Ademais, o historiador israelense Yuval Harari nos seus livros, “Sapiens” e “Homo Deus”, descreve a importância da medicina para o estabelecimento do ser humano como criatura dominante do ecossistema e como o ser humano controlará até a sua própria biologia. Nesse sentido, o Brasil é o segundo maior realizador de procedimentos do mundo, segundo a agência internacional de transplantes; mas que tem uma dificuldade de encontrar o órgão compatível com o individuo que necessita, levando a percas desnecessárias em decorrência da dificuldade da organização de um banco de dados geral que integre a maioria da população. Todavia, o Brasil é um dos países mais avançados em tal assunto, tendo sido o primeiro a realizar um transplante de coração no mundo.
Em suma, mostra-se evidente as dificuldades de captação de órgãos e o potencial existente no Brasil para poder realizar os procedimentos e atender a demanda. Assim, cabe ao Ministério da Saúde por meio da mídia televisiva e radiofônica, intensificar a publicidade para a sensibilizar da população brasileira sobre a importância da doação e corroborar para o vinculo familiar torna-se aceitável sobre a decisão, com o fim de amenizar a fila de espera. Portanto, é de responsabilidade do Ministério da Saúde em uma ação intersetorial com o Ministério da Cidadania, reorganizar o banco de dado sobre os cidadãos aptos a doarem, mas com a inclusão da maioria da população absoluta, reduzindo assim as dificuldades de localização de doadores e de receptores de tais órgãos, fazendo assim, o diminuir as mortes decorrentes dessa questão.