Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 31/08/2020

Coração, rins, fígado, esses são alguns dos órgãos mais doados. Doar órgãos é doar vida a alguém, dar a mesma a oportunidade de se reinventar. Entretanto, fatores como a desinformação da sociedade sobre esse assunto e o despreparo de profissionais da área médica no sentido de disseminar tais informações desencadeiam impasses que dificultam a ascensão no número de doadores de órgãos.

Sendo assim, vale ressaltar que a insuficiência, ou a inexistência, de informações relevantes sobre a doação de órgãos gera dúvidas entre as pessoas e, consequentemente, a desistência dessas. Diante disso, elementos como a fé e o medo da reação da família são apontados como as principais causas para o recuo do doador. O primeiro atua no sentido de que os familiares preferem acreditar na melhora do ente, pois a crença em Deus alimenta a esperança da família que, por sua vez, espera um milagre uma intervenção sobrenatural , mesmo com a certeza que o óbito do indivíduo será inevitável. No mais, o segundo está associado ao abandono da prática pelo doador em razão da rejeição dos parentes, uma vez que esses não concordam com o procedimento decorrente, muitas vezes, da falta de clareza nas informações sobre os procedimentos médicos. Portanto, nota-se o quão é necessário preparar os profissionais da saúde como agentes comunitários, auxiliares e técnicos de enfermagem e médicos para que atuem como educadores sobre o assunto e informem a população .

Ademais, uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), aponta um aumento significativo de 15,7% no número de doadores no primeiro semestre de 2017, se comparado com o mesmo período de 2016. Evidenciando , assim, a carência de profissionais preparados que atuem como educadores não só para os doadores, mas também para os familiares e amigos , a fim fomentar a aceitação desses para os transplantes e, dessa forma, modificar a opinião pública sobre os conceitos não fidedignos que são difundidos por diversos veículos de comunicação. Em outras palavras, a capacidade que os profissionais da saúde possuem em impactar a população sobre a prática cirúrgica é absurdamente maior do que qualquer outro setor e que, por isso, deve ser melhor desenvolvido, justamente devido a propriedade e autoridade desses profissionais em falar a respeito desse assunto , e modificar a opinião da população sobre esse quesito .

Em suma, cabe ao Poder Público, juntamente com o Ministério da Saúde estabelecer soluções plausíveis para a falta de doadores, por meio de infraestrutura hospitalar, palestras e campanhas para conscientizar a população, e a partir disso, salvar um número maior de vidas a cada dia.