Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 31/08/2020

Doação de órgãos consiste na remoção de órgãos do corpo de uma pessoa que faleceu (doador cadáver) ou de um doador voluntário (doador vivo), com o propósito de transplantá-lo em um paciente que esteja necessitando. Dessa forma, o Brasil enfrenta empecilhos em estabelecer uma relação harmônica sobre a doação de órgãos na sociedade. Não obstante, é possível analisar que o desconhecimento da população sobre o procedimento de doação, em comunhão como tráfico de órgãos, impulsionam a baixa adesão dos cidadãos pela doação de órgãos.

A princípio, é importante analisar que esses procedimentos tiveram origem No Brasil em 1964 no Rio de Janeiro, regulamentado pelas Leis 9.434 e 10.211 que determinam que a doação de órgãos podem ocorrer em duas situações: de doador vivo com até 4º grau de parentesco desde que não haja prejuízo para o doador; e de um doador morto, que deve ser autorizada por escrito por um familiar até 2º grau de parentesco. De tal maneira, nota-se que é fundamental disseminar conteúdos sobre esse assunto, principalmente, sobrem a transferência de órgãos e o enorme número de pessoas que serão beneficiadas com novas mudanças, desse modo, é fato que, com a expansão da informação e o reconhecimento pela população, crescerá o número de doadores na sociedade.

Ademais, outro fator que corrobora para a problemática é o crescente número de órgãos traficados e vendidos, pela internet, no mercado negro, essa prática favorece os mais ricos nas instituições de saúde. Segundo a Polícia Federal, o tráfico de órgãos é o terceiro mais rentável no mundo e um dos mais caros. Isso ocorre pois, pessoas de maior classe social que entram na fila de espera dessa doação tendem a pagar para receber esses órgãos mais rapidamente. Dessa maneira, a classe com menor poder aquisitivo permanece nessa fila e o senso comum sobre a precariedade do sistema cirúrgico permanece na lista de espera, muitos não conseguindo o transplante, acabando morrendo.

Por conseguinte, denota-se a importância de ações mediadas pelo Ministério da Saúde para que haja a efetividade no sistema de doação de órgãos no Brasil. Esse ministério deve realizar campanhas de conscientização sobre essa prática, é necessário fornecer informações para a população a cerca do processo de doação esclarecendo todas as dúvidas que a família ou o indivíduo que já deseja se declarar um doador após sua morte possa vir a ter. Além disso, é fundamental que nos hospitais, após declarada a morte encefálica, a família conte com um suporte de uma equipe multidisciplinar, principalmente psicólogos, que possam auxiliar no processo do luto e façam com que a família entenda que o familiar, além de importante para sua vida, pode ser fundamental para tantas outras pessoas que dependem de seus órgãos para que possam continuar a viver.