Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 02/09/2020
Durante a Primeira Guerra Mundial, no século XX, a medicina obteve inúmeros avanços técnico-cirúrgicos. Nesse ínterim, desenvolveram-se procedimentos como o transplante de órgãos, que possibilitou um tratamento alternativo às pessoas acometidas por doenças e acidentes que incapacitam o funcionamento de partes do organismo. No entanto, a doação de órgãos no Brasil Contemporâneo ainda enfrenta falta de informação e entraves culturais e éticos.Dessa forma, é necessário um amplo debate acerca do tema.
Em primeira análise, de acordo com o escritor alemão Franz Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito à dignidade humana. Nessa perspectiva, a doação de órgãos exprime um ato de amor à vida, entretanto, algumas famílias ainda enfrentam dilemas éticos na decisão de doar os órgãos do ente falecido. Esse fato ocorre em razão da dificuldade de compreender o conceito de morte encefálica, que consiste na completa e irreversível parada de todas as funções do cérebro, porém, o coração ainda apresenta batimentos por até três semanas, alimentando a esperança dos familiares de que aquele indivíduo ainda acorde, porém a doação de órgãos só é viável até 48 horas após a morte encefálica.
Impende ressaltar, ainda, a respeito do número de pacientes na fila de espera crescer no país, o número de doadores efetivos não é suficiente, além de não acompanhar o mesmo ritmo. De acordo com o Sistema Único de Saúde (SUS), responsável por 90% dos procedimentos, são 41 mil pessoas aguardando por um doador. À vista disso, dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) revelam que de cada oito potenciais doadores, apenas um é notificado, ou seja, a falta de infraestrutura dos Hospitais Públicos colabora para que o número de transplantes não aumente. Outrossim, a situação é agravada pelo despreparo das equipes médicas em notificar a família e promover a doação, visto que quando as dúvidas dos familiares são bem esclarecidas aumenta-se a possibilidade dela acontecer.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Nesse aspecto, é fundamental que o Ministério da Saúde, em parceria com escolas e Ongs, realize campanhas de esclarecimento e palestras para a comunidade, além de estabelecer programas de educação contínua à crianças e adolescentes no ensino básico, a fim de introduzir o assunto na sociedade e aumentar o número de doadores. Além disso, cabe às Instituições de Ensino Superior formar profissionais de saúde capacitados e especializados para trabalhar com a captação de órgãos, mediante treinamento de boas práticas de comunicação em situações críticas, ainda na graduação.