Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 02/09/2020

Segundo a ideologia do Sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a modernidade líquida é mar- cada pela falta de solidez nas relações econômicas, políticas e humanas. Nesse sentido, os de- safios de incluir pessoas no corpo social é um sórdido reflexo dessa realidade e o problema per- manece intrinsecamente ligado à sociedade, seja pela passividade governamental, seja pela au- sência de informações. Analisando o pensamento e relacionando - o a realidade dos impactos, percebe-se a necessidade de um olhar mais atento para o aprimoramento acerca dos desafios e esclarecimentos sobre a doação de órgãos no Brasil, que sofre com acúmulo de infraestrutura limitada e recusa das famílias.

Em primeiro plano, é necessário apontar a precariedade do sistema de saúde brasileiro como limitador da quantidade de órgãos reaproveitados. Sobre o tema, o jornal Folha de S. Paulo pu- blicou um artigo que aponta a demora em notificar a morte cerebral do paciente como respon- sável pelo desperdício de 50% dos órgãos com potencial de transplante no país. Isso ocorre porque cada parte do corpo possui uma “validade”, a exemplo do coração, que deve ser retirado antes da parada cardíaca e só pode ficar em isquemia por seis horas, ou então não poderá ser doado. Portanto, é evidente que o mal funcionamento das Unidades de Tratamento Intenso (UTIs), que mantém os órgãos do indivíduo com morte encefálica vivos até a notificação de su- a condição, é responsável pelo baixo índice de órgãos doados no Brasil.

Faz-se mister, ainda, salientar a desinformação dos familiares acerca da doação como empe- cilho para execução desse procedimento. De acordo com a Associação Brasileira e Transplante de Órgãos (ABTO), dos dez mil casos de morte cerebral que ocorrem por ano, apenas metade possuem permissão para retirada de órgãos. Tal situação ocorre pela confusão feita entre falên- cia encefálica e o coma, pois ao contrário da morte do cérebro, no coma há a possibilidade de o paciente acordar, o que dá falsas esperanças aos parentes que, com seu emocional já abalado pelo estado em que se encontra seu ente querido, opta por não permitir que as partes de seu cor- po sejam extraídas. Assim, é necessário que essa incompreensão seja combatida para que mais vidas possam ser salvas.

Em face do exposto, visando a importância do transplante de órgãos e com a ajuda do Mi- nistério da Saúde, deve-se promover campanhas publicitárias por meios do desenvolvimento, nos hospitais públicos, palestras, que debatam sobre o tema, tendo a presença de médicos cirur- giões. Com o fito de estimular a importância do ato de solidariedade com o próximo.