Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 03/09/2020
O primeiro transplante de órgão do mundo foi realizado em 1954, nos Estados Unidos, pelo médico Joseph Edward Murray - que lhe conferiu o Prêmio Nobel de Medicina. Entretanto, uma parcela substancial da população mundial, principalmente no Brasil, se mostra indiferente à conquista de Murray, de modo que não há cultura de doadores no Brasil. Dessa forma, para mitigar tal dilema, faz-se necessário desconstruir a desinformação presente nos brasileiros, além de melhorar a distribuição de profissionais e recursos pelo país.
Convém analisar de início, que a desinformação dos familiares do finado, sobre a morte encefálica - perda completa e irreversível das funções cerebrais, mas que equipamentos e medicações podem manter o coração batendo e o oxigênio circulando até que se efetue a doação de órgãos - é o fator de maior expressão para a permanência das infinitas filas para a realização dos transplantes. Já que a atual legislação do Brasil, só permite a transplantação, caso exista o consentimento da família. Consequentemente, se a mesma não obtiver as informações necessárias, a decisão tomada contribuirá para a alta procura e a baixa disponibilidade de órgãos.
Certamente, a demanda será sempre crescente e também maior que a disponibilidade, já que “há mais possibilidade de uma pessoa estar na fila por um transplante, do que para ser um doador”, como afirma Valter Duro Garcia (médico responsável pelos transplantes renais da Santa Casa de Porto Alegre). Portanto, além de doadores é necessário ter equipes médicas capacitadas tanto para o recebimento e realização da cirurgia, quanto para enviar o órgão e tranquilizar a família do doador. Fato que não ocorre em todos os estados que compõem o país, o qual possui dimensões continentais
Portanto, para que todo corpo social deixe de ser indiferente para com esta problemática, é mister que o Ministério da Saúde - setor governamental, responsável pela administração e manutenção da saúde pública do país) capacite profissionais da área por meio de congressos e que depois os distribua de maneira justa pelo território nacional, para promover a equivalente disponibilidade - mediante à demanda - de médicos e enfermeiros nas cinco regiões do país. De maneira complementar, a mídia, por atingir um grande número de pessoas, junto com o CFM (Conselho Federal de Medicina), por meio de campanhas publicitárias, com propagandas informativas nos grandes veículos midiáticos, que expliquem sobre a importância da doação de órgãos e sobre a morte encefálica, com o fito de conscientizar os cidadãos acerca do assunto. Assim, será possível salvar um número imensuravelmente maior de vidas, através de um ato de empatia.