Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 10/09/2020
Nas cenas finais do filme A Cinco Passos de Você, é retratado o transplante de pulmões da jovem Stella Grant. Esse cenário, contudo, não é a realidade dos pacientes na fila de transplantes no Brasil. Uma vez que a doação de órgãos e tecidos, no país, enfrenta desafios como a desinformação e o desamparo das famílias de indivíduos na posição de possíveis doadores.
Segundo a Constituição brasileira, a decisão referente à doação dos órgãos de enfermos com morte encefálica comprovada é responsabilidade dos familiares. Entretanto, a desinformação quanto ao processo que antecede a retirada de órgãos e tecidos e ao diagnóstico, mesmo que este deva ser ratificado por mais de um médico, pode levar à negação da proposta. Ainda, outro fator que corrobora para a decisão familiar negativa é a defasagem de um sistema de amparo psicológico aos parentes durante o momento inicial de luto.
Não apenas esses fatores diminuem o número de transplantes, como também podem desrespeitar a vontade do paciente. Embora possa haver o registro legal da escolha de ser doador, o veredito final é da família. Todavia, a falta de informação referente, também, à vontade da pessoa que não apresenta legalmente a sua decisão ou informalmente a seus familiares, associada à desinformação técnica e ao desamparo psicológico, podem levar à recusa da proposta de doação, prejudicando, assim, outros indivíduos.
Em virtude dos fatos supracitados, é necessário que atitudes sejam tomadas. O Ministério da Saúde deve ampliar o projeto de qualificação de equipes médicas da área de transplantes, por meio do treinamento de profissionais da saúde para lidarem com esse tipo de situação, provendo as informações necessárias de forma inteligível e amparo psicológico às famílias. Ademais, o grupo familiar deve deliberar a proposta com base não só na vontade do indivíduo, mas também na empatia e solidariedade pelos pacientes que necessitam da doação de órgãos e tecidos.