Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 03/09/2020

O sociólogo Betinho ressalta que o desenvolvimento social só é possível através da participação civil. Sob esse viés, é reafirmado o subdesenvolvimento brasileiro, visto que, segundo o Sistema Único de Saúde, a recusa familiar impede cerca de 40% de potenciais doadores a melhorar a qualidade de vida de diversas pessoas. Nesse prisma, torna-se indispensável a discussão acerca da falta de informação da população bem como da omissão estatal, contribuindo para dificultar a doação de órgãos no Brasil.

A priori, a resistência familiar no consentimento para doação deve-se principalmente a desinformação e o estabelecendo de estigmas sociais. Dessa maneira, o desconhecimento da condição de morte cerebral é incompreensível para muitos familiares, isso porque o ente querido continua com batimento cardíaco e respirando, mas não há atividade cerebral e legalmente ele já é considerado morto. Somado a isso, os mitos sobre o procedimento dificulta a doação, exemplo disso é acreditar em uma possível comercialização de órgãos, ou também julgar precipitadamente o verídico médico da morte por algum tipo de interesse nos órgãos para outros pacientes e por fim, o desconhecimento da proporção positiva que a doação pode irradiar a diversas pessoas.

Outro assim, em consonância com o escritor José Saramago, em sua obra “Ensaio sobre a cegueira”, exposto o fenômeno “cegueira moral” caracterizando a alienação da sociedade a diversos conflitos, ao passo que o Estado se omite frente a essas questões. Prova disso, é a omissão estatal frente ao baixo investimento na conscientização dos cidadãos, além disso, a falta de gestão de cada estado brasileiro agrava a problemática, isso porque a concentração de centros capacitados para o transplante é apenas nas regiões Sul e Sudeste, com isso, as outras religiões são lesadas, já que o tempo de transplante é fundamental para o sucesso do procedimento.

Destarte, medidas são precisas para mitigar esse impasse. Portanto, É papel do Governo a divulgação e a disseminação a respeito da legislação, dos procedimentos rigorosos exigidos, do sistema de listas, o qual rege a igualdade e os benefício acarretados para vários indivíduos, quando a doação é consentida e executada com excelência, dessa maneira, essa disseminação de conhecimento deve ser por meio de campanhas mediática e pela introdução das discussão do tema nas escolas, incluindo da BNCC, afim de minimizar o desconhecimento sobre o tema, possibilitando a demonstração de interesse em doar para a família. Desse modo, objetivando mitigar a omissão do estado e potencializar esse gesto de altruísmo, pois ser doador é possibilitar novos recomeços.