Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 24/09/2020
Dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos mostram que 87% dos transplantes brasileiros são feitos com recursos públicos. Embora seja uma conquista, o dilema da doação de órgãos continua presente, visto que ainda são poucos casos no Brasil. Dessa forma, em razão da falta de debate e de uma lacuna educacional, emerge um problema complexo que precisa ser revertido.
Primeiramente, é preciso salientar que o silenciamento é uma causa latente do impasse. Segundo o filósofo Foucault, na sociedade pós-moderna muitos temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Diante disso, verifica-se uma lacuna em torno dos debates sobre a doação de órgãos, visto que, a temática não esta inclusa no dia a dia do população seja em propagandas ou palestras, oque contribui com o aumento da falta de conhecimento da população sobre a questão. Assim sem diálogo sério e massivo sobre a problemática sua resolução é impedida.
Em segundo plano, outra causa para a configuração do empecilho é uma base educacional lacunar. De acordo com o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob essa lógica, se há problema social, há como base uma lacuna educacional .No que tange à doação de órgãos, verifica-se uma forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverte e de prevenir a desinformação em torno do dilema, visto que não tem trazido esses conteúdos às salas de aula.
Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Como solução, é preciso que o MEC, em parceria com as escolas, promova, para professores da rede pública e privada, cursos sobre como abordar conflitos sociais na sala de aula. Ademais, tais cursos devem ser gratuitos e digitais, por meio de médicos e psicólogos especialistas no assunto, ensinando diferentes ferramentas e métodos para que os professores possam discutir dilemas como à doação de órgãos, a fim de que professores e alunos consigam propor diferentes soluções, e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções. Por fim, e preciso que a comunidade brasileira olhe de forma mais otimista para o momento de luto, pois, como constatou Hannah Arendt, ¨ a pluralidade e a lei da terra¨.