Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 06/09/2020

No filme " Um prova de Amor", a pequena Anna é gerada para ser compatível e salvar á vida de Kate, que tem leucemia, já que ela receberia as células do cordão umbilical da irmã como forma de tratamento da doença, sem precisar esperar anos por um doador. Tal medida, acaba refletindo a realidade sobre a doação de órgãos, uma vez que, a fila de pessoas que esperam é inversamente proporcional a de doadores. Desse modo, fica clara a emergência em buscar medidas que envolvam a sociedade e o Governo, com o intuito de alterar esse dilema no  Brasil

Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, existem 45 mil pessoas cadastradas na fila de espera por transplantes. Considerando que, a população do nosso país está em torno de 209 milhões, o número de pessoas aguardando poderia ser considerado irrisório, haja vista que um doador pode salvar até 8 vidas. Todavia, em 2018, cerca de 43% das famílias de vítimas de morte encefálica não autorizaram a concessão, seja por falta de informações sobre a irreversibilidade do quadro do paciente ou ainda por ideologias que são contra a doação e recepção. Porém, esse contexto poderia ser  diferente, caso o doador pudesse decidir em vida sobre a destinação de seus órgãos, por meio de documentação legal, o que facilitaria e daria agilidade ao processo.

Ademais, constata-se também que no Brasil não há políticas públicas eficientes quanto a problemática. De acordo com a ABTO, cerca de 70% dos órgãos doados não são utilizados, seja por falta de estruturas dos hospitais, ou do transporte dos órgãos até os centros médicos aonde serão realizados os procedimentos. Vale ressaltar, por exemplo, que o coração tem apenas 4 horas de “vida” após ser retirado do doador, e com as enormes distâncias entre os estados no Brasil, faz-se necessário melhorias urgentes para evitar as perdas e alcançar o maior número de vidas. Dessa forma, corroborando com a Teoria Utilitarista, do filósofo Jeremy Bentham, que afirma que agir corretamente é proceder para alcançar a felicidade da maioria.

Portanto, diante do exposto, é fundamental adotar medidas para mitigar tal dilema no país. Cabe ao estado, por meio do Ministério da Saúde, fazer uma análise criteriosa das reais deficiências hospitalares de cada região, e assim adotar medidas que tornem o processo de doação-recepção mais ágil e eficaz. Como por exemplo, criar estruturas de transporte aéreo para chegar à áreas mais distantes, dessa maneira reduzindo as perdas. Além disso, sancionar uma lei que autorize a manifestação própria do indivíduo sobre a doação de seus órgãos, e ainda promover campanhas midiáticas, frequentemente, para combater a incompreensão da sociedade, informando sobre a importância da doação, da segurança no procedimento, bem como a oportunidade de dar uma nova vida à alguém.