Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 08/09/2020

A preservação de corpos humanos tem seus relatos mais antigos no Egito, onde rituais de embalsamento, motivados por crenças, conservavam a estrutura física dos indivíduos visando uma vida pós morte. No hodierno, com o avanço de estudos científicos, não só a conservação, mas também, o aproveitamento de órgãos de pessoas falecidas é possível-por meio de transplante- e responsável por salvar milhares de vidas. Entretanto, alguns empecilhos impedem que esses números sejam maiores – como preconceitos pela falta de discussão sobre o tema e, consequentemente, o baixo número de doares para o grande contingente de pessoas na fila de espera.

Dado ao exposto, nota-se o prejuízo causado por falsas crenças e intolerância, propagados constantemente, que impedem muitas doações. Criações do imaginário popular que não condizem com a realidade, prejudicam e afastam a sociedade do conceito verdadeiro. Portanto, é notável a necessidade de debate acerca do assunto como forma de romper com a visão preconceituosa, visto que, consoante aos pensamentos do filósofo Francis Bacon o qual afirma ‘’o conhecimento é em si mesmo um poder’’,o entendimento é ferramenta importante para propiciar o aumento de adeptos à causa.

Ademais, a ausência de argumentação a respeito da temática provoca, também, o desconhecimento da família sobre a vontade do indivíduo. Uma vez que, para se declarar um doador só é preciso a verbalização do arbítrio, caso não seja dada a atenção ao assunto, essa vontade será desconhecida. Dessa forma, a incerteza o impedirá de se concretizar. Outrossim, é evidente o tratamento da morte com censura, como algo improvável, fator que adia, cada vez mais, a conversa sobre a importância do procedimento para salvar a vida de outras pessoas.

Por conseguinte, é profícuo que o Estado e as outras instituições intervenham, por meio de diferentes estratégias, com o objetivo de proporcionar uma melhora no atual cenário. Cabe ao Ministério da Educação realizar a exposição formal do conteúdo, com palestras voltadas para toda a comunidade –tanto pais quanto alunos- realizadas por profissionais da saúde. Quanto aos veículos midiáticos, expor propagandas voltadas ao tema, nos variados meios de comunicação, contribuiriam para o maior alcance de indivíduos. Por outro lado, demanda aos representantes religiosos dissertar e suprimir prejulgamentos e falsos ideais atribuídos aos fundamentalismos. Dessa forma a doação de órgãos deixará de ser um tabu e poderá, assim, socorrer muitas vidas.