Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 10/09/2020

No documentário “Anjos da Vida - Em busca da doação de órgãos”, dirigido pelas jornalistas Camila Correia, Mayara Lima, Natália Mitie e Beatrice Costa, são mostrados três lados: médicos, pacientes e famílias de doadores. Analisando a obra cinematográfica, percebe-se que existem diversas considerações a serem feitas no desempenho da doação de órgãos, tornando-a uma situação delicada e difícil de ser debatida. Dessa forma, é imprescindível que seja encontrada uma maneira de discutir o processo citado de forma leve e não prejudicial.

Em primeira análise, deve-se destacar o impacto da pandemia de Covid-19 nas doações realizadas em 2020. De acordo com o G1, o número de doações de órgãos caiu no Rio Grande do Norte no período de abril até junho, no qual o estado estava em isolamento social. Assim, ocorreu um grande aumento nas filas de pacientes à espera de órgãos como rins e córneas. De acordo com a coordenadora da Central de Transplantes, Rogéria Medeiros, uma das explicações para a situação seria a diminuição de mortes por trauma, principal fonte de doações.

Ademais, pode-se citar o conceito de modernidade líquida, apresentado por Zygmunt Bauman. De acordo com o filósofo, as relações atuais são excessivamente marcadas pelo individualismo e egoísmo, com os indivíduos sempre colocando os próprios interesses acima das necessidades do outro. Ao considerar a doação de órgãos, existem diversas famílias que se recusam a realizar o processo, justificando a partir da negação ao corpo “incompleto” no velório. Apesar de ser uma decisão individual da família, é importante considerar a vida daqueles que necessitam da doação de certo órgão para a sobrevivência.

Logo, analisando os fatos citados no texto, pode-se concluir que o processo de doação de órgãos deveria ser mais discutido e incentivado no país. Assim, o Ministério da Saúde deveria promover a realização de diversas campanhas, por meio de palestras feitas por profissionais especializados e propagandas em meios de comunicação populares. Dessa forma, seria possível entregar a devida explicação à um maior público, mostrando os diversos lados positivos que possui o processo. Por outro lado, também existiriam maiores oportunidades de considerar todos os lados citados no documentário “Anjos da Vida - Em busca da doação de órgãos”, ou seja, médicos, pacientes e famílias dos doadores.