Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 12/09/2020

A doação de órgãos e de tecidos, por definição, é o ato pelo qual se manifesta a vontade de doar uma ou mais partes do corpo a fim de ajudar no tratamento de uma pessoa. Nesse sentido, salienta-se a importância dessa ação para salvar a vida de milhares de brasileiros na fila de transplantes. Apesar do excelente posicionamento do Brasil no ranking mundial de doação de órgãos, a meta estabelecida pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) ainda não é cumprida. Por isso, é preciso combater a desinformação e os mitos sobre o tema, além de ampliar a estrutura dos centros de transplantes, para que os dilemas da doação de órgãos no Brasil sejam minimizados.

É fato que o número de pessoas que esperam por um transplante de órgão no Brasil é inversamente proporcional à disponibilidade de doadores para atender a essa demanda. Esse problema é agravado pela desinformação e a perpetuação de mitos, que faz com que o assunto não seja dialogado no meio social, principalmente entre familiares e amigos, que são peças fundamentais no processo de doação. Por exemplo, a morte encefálica é uma condição que propicia a doação total dos órgãos de uma pessoa e pode salvar dezenas de vidas, no entanto, o diagnóstico ainda é mal compreendido pelas famílias, visto que o paciente ainda está “vivo” mesmo que sob a assistência de máquinas hospitalares. Assim, esse equívoco na decisão impede o ato generoso que pode resultar na recuperação de pessoas vulneráveis e, também, evitar mais mortes.

Deve-se ressaltar, também, a ineficiência na coleta, no transporte e transplante dos órgãos no Brasil. A distribuição dos centros de transplantes é desigual, dificultando a recepção de órgãos em muitas regiões. Sabe-se que o tempo de sobrevivência do órgão fora do corpo é curto, com isso, a improficiência desses centros pode acarretar no desperdício do tecido e arruinar as esperanças de uma recuperação para o paciente receptor. Segundo o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro, perde-se cerca de 3 órgãos por dia, e um dos principais motivos é a falta de disponibilidade de transporte. Sendo assim, torna-se urgente a mudança desse sistema falho que prejudica vidas.

Dessa maneira, é imprescindível a interferência do Ministério da Saúde para promover campanhas de divulgação que sejam difundidos nos meios de comunicação, como as redes sociais, a fim de informar sobre a importância de ser um doador de órgãos e, também, fornecer esclarecimento a respeito dos mitos e temores sobre o assunto. Juntamente disso, é crucial que o Governo amplie a abertura de centros de transplantes nos diversos estados brasileiros, com o intuito de que a logística seja facilitada e o desperdício de órgãos seja evitado. Dessa forma, será possível reduzir os obstáculos supracitados, garantindo que a meta da ABTO seja efetivada.