Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 14/09/2020
Na série médica “Grey’s Anatomy” são apresentados vários casos em que vidas são salvas devido ao transplante de órgãos. Entretanto, fora da ficção, os hospitais enfrentam problemas para a realização desse tipo de cirurgia por falta de doadores. Nesse contexto, deve-se analisar que a desinformação da população e a falta de capacitação dificultam as doações de órgãos no Brasil.
Em primeiro plano, destaca-se a falta de informação como um agravante da problemática. De acordo com o filosofo alemão Habermas, o diálogo é fundamental para resolver os problemas do mundo. Diante de tal pensamento, nota-se que a falta de debate acerca da doação de órgãos faz com que muitas pessoas não se solidarizem, exemplo disso é que, segundo o Ministério da Saúde, mais de 40% dos familiares negam a doação. Logo, a desinformação, atrelada a legislação brasileira que só pretermite tal procedimento com o consentimento da família, dificultam o cenário de transplantes de órgãos no país.
Além disso, a descapacitação em outros estados também é um problema. Apesar do Brasil possuir o maior sistema público de transplante de órgãos do mundo, a disparidade geográfica dificulta o processo. Isso porque a maioria dos centros e equipes especializadas estão concentradas no Sul e Sudeste do país, em São Paulo, por exemplo, são realizadas quase metade desse das cirurgias do país - de acordo com a Central Nacional de Transplantes. Como consequência, além da dificuldade no acesso a esse procedimento em outras regiões, possíveis doadores também podem ser perdidos.
Portanto, ficam claros alguns fatores que dificultam a doação de órgãos no Brasil. Assim, cabe ao Ministério da Saúde promover campanhas acerca do assunto, por meio de médicos que expliquem o processo de transplante e a importância de conversar com a família sobre o desejo de doar - e quebrar estigmas sociais, a fim de que mais pessoas se solidarizem e tornem-se possíveis doadores. Ademais, cabe ao Governo Federal ampliar os centros de transplante no país, através do envio de verbas e equipes especializadas para outras regiões, para que as cirurgias sejam mais acessíveis. Dessa forma, o ato nobre de doar órgãos salvará mais vidas.