Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 14/09/2020
Na mitologia grega, Zeus condenou Prometeu a ficar preso em uma montanha e ordenou que todos os dias uma águia comeria seu fígado. Contudo, como Prometeu era um deus,seu fígado se restituía, assim que a águia ia embora.Fora da ficção,pessoas que têm problemas em seus órgãos não conseguem restitui-los, como Prometeu, e dependem da doação de órgãos para se manter vivos. Nesse aspecto, esse ato é dificultado pelo medo de falar sobre a morte e falta de empatia da sociedade. Nesse cenário, é crucial superar as barreiras,para que mais vivas sejam salvas, através da doação de órgãos.
Diante dessa situação, o tabu que norteia o debate sobre a morte é um empecilho para a concessão de órgãos. Sob essa ótica, o filósofo Michel Foucault, na sua obra " A Ordem do Discurso", afirma que na sociedade a um conjunto de saberes legitimados e outros assuntos que são considerados inadequados que acabam sendo omitidos na coletividade. De conformidade ao pensamento de Foucault, falar sobre a morte é um assunto excluído no corpo social, visto que o indivíduo que expõe sua vontade de dação de parte do seu corpo é reprimido pelas pessoas, logo para não ser taxado de esquisito, futuros concessores de órgãos, omitem de sues familiares esse desejo. Nesse prisma, é fulcral naturalizar a conversa sobre a morte, uma vez que se o parente não sabe da ânsia da pessoa em ser um doador , ele acabará não autorizando a retirada de seus órgãos, com isso várias vidas deixarão de ser salvas.
Ademais , é importante destacar que a falta de empatia da humanidade em relação a doação de órgãos, é um dificultador do decurso. Nessa perspectiva, o filósofo Zygmunt Baumuan, diz que os homens pós-modernos estão direcionados a olhar somente para si, enxergando somente o ser individual e deixando de lado o coletivo. Paralelamente ao pensamento de Baumuan, a humanidade pós-moderna tende a ser individualista e só olhar para sua adversidade,sendo assim menospreza a doação de órgãos, pois não são eles que dependem dela para sobreviver. Nesse panorama, medidas que estimulem a solidariedade da população são cruciais, pois assim a morte poderia adquirir um sentido de esperança, a pessoa que veio a óbito faria a nobre ação de doar seus órgãos, mantendo outras pessoas vivas.
Destarte,a persistência de obstáculos que impossibilitam a doação de órgãos na contemporaneidade brasileira. Logo, o Ministério da Saúde deve promover campanhas de conscientização, por meio propagandas televisivas, com médicos relatando a importância da doação de órgãos e aconselhando , o futuro doar, a conversar com seus familiares sobre sua vontade de ser doador e pacientes que foram receptores falando como sua vida melhorou pós-doação,assim o tabu sobre a morte e a falta de empatia da população se mitigará. Somente assim, o processo de doação de órgãos ficará legitimado e agiu , e os pacientes da fila de doação terão seus órgãos restaurados ,assim como Prometeu.