Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 20/11/2020
Segundo o sociólogo Emille Durkheim, a solidariedade é fruto da consciência coletiva. Contudo, percebe-se que há entraves na realidade brasileira a respeito da dificuldade de doação de órgãos. Assim, seja pela negligência estatal, seja pela recusa familiar, o baixo número de seres que são doadores no país é uma problemática que deve ser revertida.
Em primeiro lugar, é necessário entender que a insuficiência governamental contribui para a precariedade de doações de órgãos. Esse fato ocorre, haja vista que o governo não busca realizar projetos sociais que permitam que a maior parte da população sejam incentivadas a doarem seus órgãos. Uma prova desse cenário é que não há, em geral, nas Instituições de ensino do país, aulas ou palestras que busquem convencer possíveis doadores e, muitas vezes, a desinformação afasta aqueles que poderiam salvar pelo menos 50 vidas, conforme a Associação de Transplante de Órgãos. Consequentemente, a importância desse meio como garantia para salvar vidas é comprometida.
Além disso, é notório que a negação familiar intensifica a falta de possíveis doadores. Esse fato se dá, pois, dos dez mil casos de morte cerebral que ocorrem por ano, apenas metade possuem permissão para retirada de órgãos, de acordo com a revista Veja. Nesse sentido, é nítido que, os diversos fatores como, desconhecimento sobre a vontade do potencial doador e questão de manter o corpo íntegro são predominantes, com isso, centenas de pessoas perdem a oportunidade de saírem da fila de esperar e reviver suas vidas. Uma evidência dessa situação foi o caso do famoso Gugu Liberato, no qual morreu de morte encefálica e sua mãe não queria a retirada dos órgãos por medo de deformação do corpo, porém, a vontade do mesmo prevaleceu salvando diversas pessoas. Com efeito, muitos brasileiros são impedidos de ajudar o próximo, o que dificulta a difusão do pensamento solidário.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de reverter o cenário atual. Para ameniza essa questão, é interessante que o Ministério da Saúde e da Educação, principais órgãos que regem os investimentos nesses setores, atue na elaboração de uma estratégia de aumento de doações de órgãos pelas camadas sociais. Isso deve ser viabilizado por meio de subsídios direcionados as Instituições de ensino pelo país, que promovam atividades socioeducativas aos alunos, por meio de palestras, debates e aulas extracurriculares na área da saúde. Com objetivo de reduzir a desinformação e aumentar gradativamente o número de contribuintes ao longo dos anos. As famílias, por sua vez, busquem procurar a vontade de seus familiares, como também, desmitificar qualquer mito sobre o transplante. Somente assim, será possível fazer da solidariedade uma consciência coletiva dita por Durkheim.