Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 16/09/2020

Dados da Agência Brasil mostram que o número de transplantes brasileiros cresceram 63,8% nos últimos dez anos. Embora seja uma conquista, o problema da doação de órgãos continua presente, visto que ainda são poucos os casos no Brasil. Dessa forma, em razão da falta de debate e de uma lacuna educacional, emerge um problema complexo que precisa ser revertido.

Primeiramente, é preciso salientar que o silenciamento é uma causa latente no problema. Segundo Foucalt, na sociedade pós-moderna muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Diante disso, verifica-se uma lacuna em torno dos debates sobre a doação de órgãos, o que contribui com o aumento da falta de conhecimento da população sobre a questão, tornando sua resolução mais dificultada.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é uma base educacional lacunar. De acordo com o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob essa lógica, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange à doação de órgãos, verifica-se uma forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter e prevenir o problema, visto que não tem trazido esses conteúdos às salas de aula.

Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é preciso que as escolas em parceria com a prefeitura promovam espaços para rodas de conversas e debates escolar, tais eventos poder ocorrer no período extraclasse contando com a presença de professores, especialistas no assunto e pessoas que doaram ou receberam órgãos. Além disso, esses eventos devem ser abertos á comunidade a fim de que mais pessoas compreendam a importância da doação de órgãos e se tornarem cidadãos atuantes na busca de resoluções. A partir dessas ações poderá se consolidar um Brasil melhor.