Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 19/09/2020

A série médica “Grey’s Anatomy” demonstra em alguns de seus episódios, a grande dificuldade no processo de doação de órgãos. Nesse contexto, vale evidenciar que, embora a quantidade de doadores brasileiros tenha aumentado nos últimos anos, ela ainda não é suficiente para atender a demanda de pessoas na fila de espera por transplante. Torna-se evidente, portanto, que a realidade vivida na ficção perpetua-se no cenário atual do Brasil, seja pela precária infraestrutura hospitalar, ou pela falta desinformação da população sobre o assunto.

Em primeira análise, é válido discernir que durante a segunda guerra mundial, várias técnicas inovadoras foram desenvolvidas e aperfeiçoadas na medicina, entre elas, o transplante de órgãos. Em decorrência disso, várias necessidades foram estabelecidas para que o processo seja realizado com eficiência. Entretanto, é nítida a péssima infraestrutura do serviço público de saúde brasileiro, uma vez que cerca de 70% dos órgãos doados não são utilizados a tempo, de acordo com a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos). Desse modo, é imprescindível que haja uma estrutura hospitalar e de transporte adequada. Do contrário, muitos órgãos podem ser desperdiçados e muitas vidas podem não ser salvas, tendo em vista que um único indivíduo pode salvar até 8 pessoas ou mais.

Vale pontuar, ainda, que a recusa familiar é um dos principais motivos para que um órgão não seja doado no Brasil, uma vez que, 43% das famílias recusaram a doação de órgãos de seus parentes após morte encefálica comprovada, segundo outro estudo da (ABTO). Isso ocorre, em consequência da falta de informação que se desdobra na indecisão das famílias em ajudar, por não saberem a quem o órgão será destinado ou por alimentarem a esperança da recuperação do paciente em estado terminal. Esse desconhecimento da população é consequência da inexistência do assunto em constante pauta em Instituições formadoras de opinião, o que exercita ainda menos a empatia.

Logo, a fim de minimizar os dilemas na doação de órgãos, urge ao Estado criar, por intermédio de investimentos, projetos que visem aumentar e adaptar a infraestrutura de hospitais, locais de pronto socorro e veículos de emergência para procedimentos de transplantes. Ademais, cabe ao Ministério da Educação (MEC) criar, por meio de verbas governamentais, políticas públicas que promovam publicidades que informem a população da importância da doação de órgãos e da segurança do procedimento, a fim de, através do debate, incentivar a atuação, conforme o filósofo Habermas defende que a linguagem é uma forma de exercício. Somente assim, será possível aumentar a empatia social e, ainda, contribuir para que a realidade de “Grey’s Anatomy” não seja refletida na Nação.