Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 25/09/2020
O médico Joseph Edward Murray, em 1954, foi responsável por realizar o primeiro transplante de órgão vital, sendo agraciado pelo Prêmio Nobel de Medicina. Levando em consideração a situação do Brasil nesse contexto, é evidente a indiferença com essa conquista, seja por falta de informação da sociedade e também pela desestrutura hospitalar, que indicam um dilema a ser resolvido.
A princípio, deve-se destacar como um problema a desinformação, principalmente da família do paciente, que é responsável pelo assentimento da doação de órgãos. Segundo estatísticas do Ministério da Saúde, 43% das famílias rejeitam a doação, isso acontece por não compreender a morte encefálica, um processo “absolutamente irreversível”, que consiste na perda total das funções cerebrais, mas com o funcionamento do órgãos. Sendo assim, muitas pessoas permanecem na fila de espera para transplantes por tempo indeterminado.
Outro fator que provoca a diminuição dos transplantes, é a falta de infraestrutura hospitalar no Brasil. Nem todos hospitais tem uma equipe especializada nesse tipo de procedimento, e o que também implica é não ter vaga nas UTI’s de hospitais credenciados. De acordo com o secretário de saúde do Estado de São Paulo, um doador pode salvar até sete vidas, mas infelizmente, muitas vidas deixam de ser salvas por essas dificuldades. Contudo, é preciso haver medidas que melhorem a infraestrutura.
Portanto, é inconcebível a necessidade da intervenção governamental diante do cenário brasileiro, não só através de campanhas de conscientização acerca de informar a população sobre o procedimento e sobre a morte encefálica, mostrando que é irreversível, mas também com palestras que expliquem a importância da doação de órgãos. Por fim, o investimento em hospitais públicos, e a maior capacitação profissional são ações essenciais, para o aumento de transplantes e assim, salve inúmeras vidas.