Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 08/10/2020
Até antes de 1997, o transplante de órgãos era incipiente no Brasil, a doação dando-se basicamente entre vivos. Daí em diante, com a regulamentação da epitetada Lei dos Transplantes, os primeiros evoluíram em técnica, resultado e variedade de órgãos, integrando progressivamente falecidos. Desta forma, obriga-se aproveitar o potencial brasileiro na área, fazendo crescer a doação de órgãos pelo dirimir nas famílias da falta de informações.
Afinal, há a necessária estrutura e condições. Atualmente, o país perde unicamente para os Estados Unidos em quantidade de transplantes, segundo dados do Ministério do Saúde. Em complemento, se de 2011 a 2015, a cada dois dias um órgão foi perdido por falta de transporte, de acordo com o SNT (Sistema Nacional de Transplantes), no ano seguinte, um decreto presidencial impeliu que um avião da Força Aérea Brasileira fosse disponibilizado a este fim. Igualmente, criou-se um sistema de coordenação nacional, o SNT. O SUS (Sistema Único de Saúde), enfim, é responsável pela realização de 95% das cirurgias de transplante de órgãos, oferecendo, ainda, assistência integral ao paciente. Os dados, portanto, solidificam um sistema sobremaneira capacitado. A doação de órgãos que lhe abastece, porém, ainda mostra-se insuficiente, dada a falta de informações dos familiares (cuja escolha é exclusiva na concessão) dos doadores falecidos.
Como consequência, o Ministério da Saúde alerta que, ao longo dos últimos anos, a média de negação dessas quanto ao procedimento manteve-se perto dos 43%. A desinformação é, primeiramente, evidenciada na morte do ente querido, a qual obriga à doação limitar-se por morte encefálica. Isto é, um estado, dito medicinalmente, absolutamente irreversível, em que o acometido não mais respira sem auxílio de aparelhos, e rigorosamente constatado por médicos independentes entre si, sem ligações com a equipe de transplantes. Os familiares do falecido, todavia, em estado de inopinado abalo, tendem a não acreditar, visto que o coração ainda bate. A dor, indubitavelmente, não abre-se à compaixão e empatia, fundamentais à doação dos órgãos. Cabe, portanto, aos profissionais de saúde, sem coação, privar-lhes das ignorâncias, apresentando-lhes, finalmente, um SNT seguro (sem registros de tráfico de órgãos), uma síntese de um sistema operoso - a certeza de que seu amado salvará vidas.
Em suma, a ignorância de muitas famílias ainda é entrave a um Brasil célere em todo o processo de transplante de órgãos a iniciar-se pela doação. A informação, debeladora de preconceitos, portanto, deve ser a chave do combate. Neste sentido, secretarias de saúde, por meio de propagandas na internet, tendo em vista seu longo alcance, devem promover a importância da doação de órgãos, visando extinguir preconceitos. Debates poderão ser impelidos, por exemplo, por meio de “hashtags”.