Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 02/10/2020

Com os crescentes avanços da Medicina, as técnicas para manter a sobrevivência foram se aprimorando, como é com a questão do transplante. Em contrapartida, com isso, foram encontradas adversidades muito mais profundas que nem a ciência conseguiu resolver ainda, a falta de órgãos disponíveis para colocar esse processo em prática. Nesse cenário, é possível analisar que tudo isso vem de dois fatores e sendo eles: a falta de informação e a ausência de programas de incentivos.

Em primeira análise, tem-se que a escassa veiculação dos benefícios e necessidades de um banco de órgãos cheio é um dos principais agravantes do situação. Prova dessa realidade é a série Grey´s Anatomy, em que um paciente, Denny Duquette, disputa por um coração com outra pessoas mais doente e acaba morrendo por não ter disponibilidade para ambos. Dessa mesma forma ocorre fora da ficção, pois a população sabe da existência da doação, mas como não é difundido, acaba por ser relativizada  - culminando na precariedade de sistema - o que recai como um severo dano para a saúde.

Em segunda análise, pode-se alegar que as medidas governamentais quanto ao apoio de práticas de incitamento são quase sempre remediadoras e não preventivas. Segundo Thomas Hobbes, o homem é o lobo do homem e danifica sua própria qualidade de vida, de maneira análoga acontece com as decisões advindas do Governo que, por uma característica brasileira (imediatismo), prorroga tudo aquilo que não tem resultado a curto prazo, até tem ser uma situação emergencial. Desse modo, fica evidente que a sociedade vira refém do alto escalão pela sua restrita voz, o que colabora com a teoria citada de autodestruição humana.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade das emissoras televisivas em conjunto com o Governo Federal produzirem entretenimentos que tenham como temática central a doação de órgãos, enquanto o Estado elabora medidas de incentivo a essa prática. Isso pode ocorrer por meio de filmes e propagandas atemporais em horário nobre - que sanem as dúvidas de maneira contextualizada e didática - e da criação de um departamento exclusivo para  a incentivação - que seja efetiva na difusão o assunto. Espera-se, com isso, enfrentar a problemática por duas frentes sociais para, assim, erradicar, a médio prazo, os dilemas da doação de órgãos no Brasil.