Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 30/09/2020
Na série médica norte-americana Grey’s Anatomy, é retratado o personagem Denny Duquette que morre após esperar dois anos por um coração. Hodiernamente, a realidade no Brasil não destoa da ficção, uma vez que é fato que muitas pessoas morrem todos os dias na fila de espera para transplantes, seja pela falta de órgãos disponíveis, seja pelo limitado alcance dos recursos. Diante disso, é necessária uma análise acerca das causas e consequências desse empecilho.
Em primeiro lugar, é importante destacar a falta de informação familiar no que tange à doação de órgãos. No Brasil, a doação só pode ser feita após o consentimento da família, entretanto a falta de conhecimento nesse momento delicado pode impactar diretamente na decisão. Além disso, a disparidade geográfica também é um fator coadjuvante nessa questão, dado que as muitas regiões do país não possuem a mesma possibilidade de acesso aos transplantes, ainda que o SUS seja o maior sistema público de doação.
Ademais, as consequências sociais e o impacto causado por esses fatos devem ser ressaltados. Destaca-se a negativa familiar, decorrente da desinformação, como principal consequência que afeta a doação de órgãos no país. Na maioria da vezes, a falta de entendimento sobre a morte de seu ente e o funcionamento do processo de transplantação faz com que os familiares decidam pela não doação. No ano de 2018, por exemplo 43% das famílias, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), não autorizaram a doação. Outrossim, a consequente falta de acesso de toda a população aos recursos de transplantes perpetua o número baixo de compartilhamento de órgãos em algumas regiões. Como por exemplo, dificilmente um transplante na região Norte acontece com a mesma frequência que ocorre no Sudeste, criando assim uma intensa desigualdade.
Portanto, medidas são necessárias para resolver essa inercial problemática. Para tanto, os governadores estaduais por meio de verbas destinadas pelo Governo Federal, devem promover a capacitação de médicos com cursos extracurriculares e levar esse treinamento para as outras regiões, além de incentivar o merchandising social, por intermédio de filmes e telenovelas ao exibir temas que tratem sobre a importância da doação de órgãos e o bem que pode ser feito a partir desse ato, com o fito de ampliar o interesse pelo assunto e consequentemente a busca pela informação, aumentando assim a possibilidade da doação.