Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 07/10/2020
O “Mito da Caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma implicação no que diz respeito aos dilemas da doação de órgãos. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar fatores, como a falta de debate e uma insuficiência legislativa, além de explorar práticas conscientes por toda a população brasileira.
A princípio, considerando o panorama das filas de espera para transplante de órgãos refletido pelo silenciamento acerca da importância da doação dos mesmos, deve-se destacar a necessidade de um maior engajamento sociocultural no país. Nesse sentido, observa-se que, diante da lenta mudança na mentalidade social e, em particular, do receio familiar no momento donativo, é utilitário que toda a comunidade se mantenha inabalável e busque o direito de voz para tal questionamento clínico. Afinal, segundo Malala Yousafzai, ativista paquistanesa, percebe-se a importância da voz quando se é silenciado.
Outrossim, essa temática remete uma ilegalidade de comercialização, bem como do transplante de órgãos como produtos de uma carência de leis e recomendações. Para Nicolau Maquiavel, filósofo italiano, “Mesmo as leis bem ordenadas são impotentes diante dos costumes”. Desse modo, é preciso estar atento ao fato de que, além de suprimir a priorização de interesses financeiros, a propagação da relevância de se estabelecer princípios empáticos requer atenção responsável de todos os envolvidos nas dinâmicas diárias e não apenas os que estão inseridos na área da saúde.
Portanto, mais do que um tema pertinente, os dilemas da doação de órgãos no Brasil representam objeções. Para que mudem, a mídia em paralelo ao Ministério da Saúde, como setor governamental de manutenção da saúde pública do país, deve disseminar a cultura de valorização de concepções benevolentes e, sobretudo, de profissionais tanto da saúde quanto da educação para mediarem transformações socioeducativas. Para tanto, isso deve ser realizado por meio de aconselhamentos, exposições e campanhas coletivas e de fácil acesso, a fim de garantir, de fato, um pluralismo de discernimentos e uma livre circulação de ideias. Ademais, a própria sociedade civil deve agir segundo a máxima que gostaria de ver modificada em lei universal por intermédio de convicções integradoras. A partir dessas ações, espera-se propiciar melhores condições no âmbito de doações de órgãos.