Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 06/10/2020
A série norte-americana “The Good Doctor” mostra, ao decorrer do trama, como o transplante de órgãos pode salvar vidas, quando feito dentro do período hábil. Nesse contexto, à ficção cinemática diverge do cenário brasileiro, o qual ainda enfrenta problemas para pacificar os dilemas da doação de órgãos no país. Essa realidade se deve, essencialmente, da falta de informações das pessoas a respeito de tal prática, bem como de uma precária estrutura dos hospitais para a realização desse procedimento.
Em primeiro plano, é possível analisar que a desinformação acerca da doação de órgãos afeta a execução desse método vital. Nesse sentido, segundo o secretário de saúdo do Estado de São Paulo, um doador pode salvar até sete vidas e caso isso não aconteça, serão sete pessoas que poderão morrer. Sob esse viés, é imprescindível a disseminação de conteúdos sobre esse assunto, principalmente, como acontece a transferência de órgãos e a gama de benefícios que podem ser viabilizado através dessa ação, uma vez que o número de doadores é insuficiente para a quantidade de indivíduos que estão na lista de espera, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Logo, a persistência do desconhecimento favorece a perpetuação dos dilemas contrários à doação de órgãos.
De outra parte, é preciso pontuar as deficiências estruturais do Sistema de Saúde Brasileiro como um dos impulsionadores do impasse. A esse respeito, o jornal Folha de São Paulo publicou um artigo que aponta a demora em notificar a morte cerebral do paciente como responsável pelo desperdício de 50% dos órgãos com potencial de transplante. Acerca disso, a falta de um Sistema de Saúde estruturado prejudica as transplantações, visto que faz-se necessário inúmeros cuidados, como controle de temperatura do corpo, para que posteriormente a retirada dos órgãos possam ser feitas em qualidades adequadas. Dessa forma, é evidente que o mal funcionamento do Sistema de Saúde Brasileiro é responsável pelo baixo índicie de orgãos doados no Brasil.
Portanto, é mister que o Estado tome providências que amenizem o quadro. Desse modo, o Ministério da Saúde deve, por meio de verbas governamentais, criar campanhas midiáticas e televisivas, as quais elucidem a importância e a beneficência da doação de órgãos, objetivando que o número de pessoas declaradas doadoras de órgãos aumente, podendo assim, salvar mais vidas ao longo dos anos. Ademais, cabe ao Governo Federal direcionar recursos aos hospitais do país, a fim de que sejam inauguradas novas UTIs e seja prestada assistência as que já existem, permitindo que pacientes com morte cerebral tenham seus órgãos conservados dentro dos cuidados e sequentemente doados a quem necessita.