Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 07/10/2020

Conforme aborda Émile Durkheim,sociólogo francês,a sociedade seria igual a um corpo biológico,dado que as partes interagem entre si,a fim de promover a coesão social.Entretanto,observa-se que no Brasil hodierno,tal premissa não se reverbera,uma vez que desafios fazem-se presentes no que tange à doação de órgãos no tecido social.Desse modo,apesar da nação ser comparada a um organismo vivo,ela se encontra incoerente.Com isso,dois aspectos tornam-se relevantes ressaltar:a omissão do diálogo no âmbito familiar e a ineficiência estatal.

Convém destacar,a princípio,que a negligência familiar acontece,principalmente,pela ausência da conversa sobre a questão da doação de órgãos.Isso,de acordo com Michel Foucault,ocorre porque a sociedade tornou tabu assuntos que lhes causam desconfortos .Nesse viés,nota-se que essa postura faz com esse impasse persista,tendo em vista que conversar a respeito da doação de órgãos significa falar sobre a morte de algum familiar o que gera um mal-estar no lar.Lê-se,dessa forma,que a falta de diálogo sobre essa temática,sobretudo,por ser um tabu impede que atos altruístas sejam colocados em práticas.

Ademais,a inoperância do governo federal no que diz respeito aos programas informativos à população é um problema.Segundo a Constituição Federal,é  dever do Estado garantir aos brasileiros acesso à saúde.Nesse sentido,tem-se que essa prerrogativa não se reflete na questão da doação de órgãos,haja vista a omissão do poder público em campanhas de conscientização e informativos sobre a importância  de tal ato,a julgar pelos dados da Associação Brasileira de Transplante ,as quais mostram que existem 48 mil pessoas na fila para o transplante de órgãos.Dessa forma,constante-se que a inércia de ações do Estaddo interfere significativamente na continuação desse problema.

Entende-se,portanto,que uma ação deve ser colocada em prática para diminuir os dilemas da doação de órgãos.Para tanto,é dever do governo federal,no papel do Minísterio da Saúde,promover campanhas informativos sobre a doação de órgãos,por meio de propagandas nas plataformas digitais e,em especial,depates em programas de auditório-dessa forma pode ter a interação da platéia-,com participação de especialistas.Espera-se ,com isso,dialogar com a sociedade civil e conscientizar -também esclarecer- acerca da importância de conversar sobre esse tema no âmbito familiar,bem como instigar cada vez mais o número de possíveis de doadores.Feito isso,o Brasil assemelharia-se ao conceito de Durkheim,isto é,seria coeso.