Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 10/10/2020

Na obra " Utopia " do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, quando é observado os dilemas da doação de órgãos no Brasil, verifica-se que a realidade é o oposto do que o autor prega. Isso acontece devido à negligência governamental e o  individualismo da sociedade.

Em primeira análise, é irrefutável a negligência das autoridades na resolução desse problema. Segundo o escritor Gilberto Dimenstein, em sua obra  O Cidadão de Papel, nem sempre as leis presentes nos documentos oficiais nacionais são cumpridas, o que desencadeia uma realidade em que os indivíduos são reconhecidos e amparados pelo Estado apenas no papel. Esse cenário é presente no Brasil, posto que a falta de estrutura de coleta, transporte e transplante dos órgãos é responsabilidade do Governo, o qual tem se mostrado negligente, conivente e incompetente, haja vista que nas localidades remotas, percebe-se à precariedade no processo de doações, configurando um impasse antidemocrático. Dessa maneira, essa insuficiência do aparto institucional evidencia o descaso do Governo com a coletividade.

Ademais, outro fator a salientar é a contribuição social na contemporaneidade. De acordo com o sociólogo Zigmunt Bauman, o individualismo é uma das principais características  e o maior conflito da pós-modernidade. Assim, a falta de empatia, do doador, ou da família - conforme a legislação brasileira é responsável por autorizar a doação caso um ente familiar venha a óbito e não tenha manifestado a decisão anteriormente -, tem como consequência a morte de muitas pessoas que se encontram na espera de um transplante. Tendo em vista a problemática supracitada, medidas são necessárias para resolvê-la.

Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, por intermédio de subsídios tributários, investir em estruturas hospitalares e cursos de atualização para os profissionais na área da saúde, principalmente no Norte e Nordeste brasileiro, a fim de formar profissionais mais preparados para a abordagem do tema com as famílias de doadores em potencial e facilitar o transplante em diferentes regiões do país. Outrossim, compete ao Ministério da Educação, por meio das escolas, abordar o tema  em sala de aula e realizar palestras voltadas aos responsáveis pelas crianças e adolescentes, com vistas a descontruir os mitos em relação à doação de órgãos, bem como incentivar a empatia e o altruísmo. Somente assim, poderá alcançar a " Utopia " de More.