Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 25/10/2020

De acordo com a Constituição Federal, a decisão de doar os órgãos é exclusivamente dos familiares do falecido. Dessa forma, tal medida apresenta um desafio para o aumento das doações, visto que os parentes precisam decidir sobre a oferta dos órgãos no momento em que recebem a notícia de óbito. Ademais, a morosidade do processo e os diversos requisitos necessários são outros fatores negativos que atuam como empecilho para as doações. Logo, é imprescindível a elaboração de medidas para solucionar a problemática.

Primeiramente, é válido ressaltar que de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) em 2012 apenas 30% das pessoas que tiveram morte encefálica viraram doadoras. Isso pode ser explicado pelos desafios que envolvem os familiares no momento de autorizar a retirada dos órgãos, como o sofrimento pela perda de um ente querido e a falta de conhecimento sobre o processo da morte cerebral e da doação. O assunto em questão está ao encontro da temática tratada na reportagem feita pela “TV Câmera São Paulo”, pois o médico entrevistado afirma que o fato dos familiares precisarem decidir se irão doar os órgãos pouco tempo após o óbito reduz a chance da doação.Em suma, fica claro que a alienação familiar sobre o método dificulta bastante sua ocorrência.

Em segundo plano, é importante salientar o caso da morte de Isabela Almeida, divulgado pelo site “Correio Braziliense”, em que a menina, por falta da organização de tempo do hospital, só pôde doar o rim e as córneas. Desse modo, é possível declarar que fatores como o sistema de transporte e falta de infraestrutura dos hospitais dificultam o processo de doação. Tal fato pode ser comprovado com o documentário “Anjos da vida”: pois um dos médicos entrevistados no documentário afirma que o país não possui a estrutura necessária para oferecer suporte à doação em todo o território nacional, o que inclui a demora no transporte dos órgãos. Portanto, é necessário que os hospitais estejam mais preparados e que o deslocamento dos órgãos sejam mais rápidos, respeitando a vitalidade destes.

Diante do exposto, com intuito de aumentar o número de doações de órgãos no Brasil, o Ministério da Saúde -principal órgão interessado e competente para efetivar o acréscimo de pessoas transplantadas no país- necessita promover campanhas socioeducativas, por meio de palestras em ambientes públicos. Tais palestras devem incentivar o debate familiar sobre o desejo de doação de órgãos e explicar como ela é feita, pois assim os indivíduos terão maior conhecimento sobre o processo e saberão explicitamente da vontade de seus familiares, o que diminui a indecisão no momento do óbito. Ademais, é importante que o Ministério da Saúde elabore propostas financeiras para  melhorar a logística de transporte dos órgãos e a estrutura dos hospitais doadores.