Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 29/10/2020
O livro “O melhor de mim” de Nicholas Sparks é um romance, no qual o filho da personagem principal sofre um acidente e precisa de um transplante de coração. Por coincidência, após o êxito da cirurgia, descobre-se que o doador que salva a vida do seu filho é um antigo amor de infância. Dessa forma, a obra aborda um tema que ainda é tabu, que é a doação de órgãos. Contudo, a resistência acerca desse assunto deve ser não apenas superado, mas as doações também devem ser incentivadas, uma vez que a perpetuação desse tabu causa o sofrimento e a morte de milhares de brasileiros todos os anos.
A priori, a doação de órgãos consiste em doar órgãos ou tecidos do corpo, a fim de salvar a vida de outra pessoa, como rim, coração, córnea, entre outros. Pensando no ponto de vista utilitarista do filósofo Mills, a decisão mais correta no ponto de vista ético e moral, é aquela que beneficia o maior número de pessoas, a doação seria válida pois é capaz de salvar a vida de várias pessoas. Entretanto, a doação, que deve ser autorizada pela família, muitas vezes é negada e isso se deve a falta de dialogo anteriormente entre a família sobre assunto, isso porque o assunto morte é um tabu e portanto, um assunto que deve ser evitado. Além disso, muitas famílias negam a doação alegando que a religião não permite, julgando como pecado e heresia. No entanto, o que muitas pessoas não sabem é que a maioria das religiões seguidas no Brasil no contexto contemporâneo, como catolicismo, espiritismo, judaísmo, islamismo e budismo apoiam a doação de órgãos. Assim, nota-se que um dos maiores dilemas da doação de órgãos no território nacional é a desinformação.
Todavia, essa desinformação tem um preço muito alto, que são as vidas perdidas anualmente. Estima-se que hoje no Brasil, mais de 2 mil pessoas morrem aguardando a doação de um órgão, segundo informações do Ministério da Saúde (MS). Assim, devido à alta demanda de órgãos, atualmente observa-se o preocupante fenômeno de tráfico de órgãos: muitas pessoas, sobretudo das camadas mais pobres, são sequestradas, traficadas e coagidas a doarem seus órgãos em troca de dinheiro, contudo muitas são enganadas e assassinadas. Dessa forma, observa-se que a falta de estímulo para doação de órgãos não coloca em risco apenas a vida daqueles que precisam da doação, mas também, dos mais socioeconomicamente fragilizados.
Logo, a fim de superar os dilemas da doação de órgãos no Brasil, os Conselhos Federais e Regionais das profissões da saúde, como de medicina, enfermagem e psicologia, com parceria com o MS, poderiam promover cursos de especialização para abordar as famílias e incentivarem a doação. Nesse curso, os profissionais além de aprender como falar da doação de maneira humanizada, também receberiam material educativo para entregar para as famílias, como folders, com dados estatísticos das doações, Assim, o combate à desinformação seria o primeiro passo para superar os dilemas da doação