Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 23/10/2020

Criado no final do século XX, o Sistema Único de Saúde tem como função ser universal, preventivo e remediador. Além disso, ele é responsável pelos transplantes de órgãos no Brasil. Todavia, a fila é longa e o paciente pode ter que esperar anos pela sua vez. Assim, é pertinente discutir acerca dos entraves na doação de órgãos no Brasil.

Primeiramente, é importante mencionar que o insuficiente número de doadores de órgãos existe em decorrência do pouco estímulo. Apesar de campanhas pontuais na televisão, redes sociais e ruas, o Estado não cumpre de forma eficiente o seu papel de diminuir a fila de espera de transplante do SUS, o que gera menor qualidade de vida dos pacientes e maior índice de óbitos que poderam ser evitados. Dessa forma, o baixo número de campanhas e informações acerca do assunto impede que a população usufrua de forma plena o direito à saúde.

Outrossim, verifica-se a hesitação dos parentes quando se trata da decisão de doar ou não órgãos do ente falecido. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 40% das famílias não autorizam a retirada de alguma parte do corpo do familiar que faleceu. A negação se deve, entre outros, à falta de comunicação dos indivíduos em relação à possibilidade de ser doador após a morte. Desse modo, a inexistência ou o pouco debate entre familiares aumenta a longa espera de quem necessita de um órgão.

Fica clara, portanto, a necessidade de fomentar a doação de órgãos. Para tal, cabe ao Ministério da Saúde, responsável por garantir o funcionamento do SUS, juntar-se as Unidades Básicas de Saúde e criar um sistema oficial que possua uma lista de cidadãos que desejam ser doadores de órgãos. Esses devem se dirigir as UBS’s e realizar o cadastro. Tal ação deve ser transmitida pelos principais canais de televisão em troca de isenção fiscal e visa ampliar a qualidade de vida da sociedade e a atuação do SUS.