Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 19/10/2020
De 1500 a 1808, no período do Brasil Colônia, não existia nenhum tipo de política pública estruturada para saúde, quer seja pela prevenção quer seja pela recuperação. Entretanto, o atual cenário brasileiro, mostra essa fragilidade em meio aos diversos dilemas enfrentados no ato de doação de órgãos. Assim, tanto a falta de comunicação entre possíveis doadores e seus familiares, quanto à ausência de infraestrutura nos hospitais são fatores que prejudicam na realização dessas ações.
Em primeira análise, é perceptível que a não informação e a aceitação dos familiares acerca do desejo da pessoa em realizar a doação, interfere na ocorrência dos transplantes de órgãos, em que ocasiona o aumento da fila de espera. Desse modo, de acordo com a Associação Brasileira de Doação de Órgãos, o motivo principal para não acontecer as doações é a recusa familiar, que representa 44% da não concretização. Nessa perspectiva, comprova a visão de que a falta de orientação e métodos informativos para com esses grupos familiares perpetuam cada vez mais a espera por cidadãos que necessitam desses transplantes para sobreviver.
Em segunda análise, é notório que a ausência de infraestrutura adequada nos hospitais para a realização dessas doações, dificultam na conservação desses órgãos, em que são gerados a perca dessas partes corporais. De acordo com o filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir a preservação da vida das pessoas. No entanto, a fragilidade existente na estrutura vai contra a garantia da vida desses cidadãos, em que além da pequena demanda existente de doações, os órgãos que possuem são mantidos em péssimas condições devido à falta de equipamentos e ambientes de conserva.
Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, juntamente com cada município desenvolverem palestras informativas, por meio de campanhas de divulgação sobre o transplante de órgãos e acompanhamento familiares no processo de doação, com a finalidade de promover a disseminação do tabu existente acerca desse assunto e contribuir no processo de doação. É importante, também, que o Governo desenvolva projetos de melhoria estrutural, mediante ao investimento em equipamentos adequados e ambientes bem estruturados no armazenamento desses órgãos, a fim de evitar a perca desses materiais e interferir na realização dos transplantes, para que o quadro existente durante a Idade Média não seja vivenciado atualmente.