Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 12/11/2020

Segundo a antropóloga Margaret Mead o inicio das civilizações se deu por meio da empatia e gestos altruístas de cuidado com o próximo. Entretanto, convém ressaltar que esse poderoso instrumento está sendo negligenciado no Brasil, haja vista a existência das dificuldades em se garantir a doação de órgãos, motivado pelo descaso do Estado e desigualdade regional.

Primeiramente, a omissão do poder público em garantir que a vontade do doador seja respeitada gera problemas para que haja a doação de órgãos. Por exemplo, não existe um canal oficial do Estado para que as pessoas se cadastrem como possíveis doadores. Dessa forma, a decisão passa para família que pode acabar recusando fazer a doação por não saber a vontade de seu familiar, assim, o poder público não cumpre sua função social de garantir o direito do possível doador como também negligencia o direito à saúde do receptor.

Além disso, as desigualdades socioespacial entre as regiões do país também contribuem para agravar esse problema. Só para fins de ilustração, segundo o Instituído de Geografia e Estatística as regiões Sul e Sudeste concentram a maior quantidade de equipes médicas e centros hospitalares, em detrimento do Norte e Nordeste. Dessa maneira, torna-se evidente que os desafios para se garantir a doação de órgãos é um problema tanto de descaso do Estado como social.

Portanto, o Governo deve, por intermédio de uma lei, taxar lucros e dividendos de grandes fortunas, com a finalidade de utilizar esses novos recursos para criação de cadastros de doação de órgãos, como também incentivar a criação de mais equipes e centros médicos nas regiões mais vulneráveis, assim, o poder público garante que a vontade do doador seja respeitada como também garante uma melhor infraestrutura para as regiões mais carentes. Desse jeito, o Brasil vai poder transformar sua realidade mediante a empatia, assim, com foi feito no passado.