Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 25/10/2020

Atualmente, há uma situação crítica com relação à doação de órgãos, já que, segundo O Globo, as famílias não autorizam a doação em cerca de 50% dos casos. Isso acontece, em parte, porque os familiares não são informados sobre os procedimentos e conceitos básicos, como morte encefálica, duvidando da segurança da doação. Além do que, é uma pauta pouco explorada no geral, o que dificulta que a população assimile a importância desse ato.

A princípio, é importante a ressalva de que das mortes encefálicas, poucas são revertidas em doação de órgãos. De acordo com a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), apenas 1.800 doações das 6 mil possíveis em 2012 foram autorizadas pelas famílias dos pacientes com morte cerebral. Assim, é notável que graças a falta de esclarecimento desses indivíduos sobre o processo de retirada dos órgãos, a tendência é a negação, já que não é comum campanhas sobre esta temática.

Assim sendo, há até quem acredite que pode haver até roubo dos órgãos como forma de corrupção nos hospitais, o que dificulta para quem está na lista de transplantes.

Do mesmo modo, apesar de existir um bom funcionamento da instituição de saúde quanto aos transplantes de órgãos, considerando que, ainda segundo O Globo, 93% dos procedimentos são feitos pelo SUS, pouco investe-se na assimilação individual sobre a importância da doação. Esse assunto não é uma pauta de comum conversação nas escolas, mesmo que nas aula de biologia. Em virtude disso, a temática fica pouco explorada e em um eventual momento de decisão, a família geralmente não sabe qual ação tomar quando, por ventura os médicos sugerem a retirada de órgãos, geralmente não autorizando-a.

Logo, é visível que o obstáculo da desinformação precisa ser superado, para que a quantidade de doações de órgãos não seja prejudicada.. Assim, é dever do Ministério da Educação, por meio da modificação da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), incluir o ensino detalhado do procedimento e da importância da doação de órgãos nas aulas de biologia destinadas ao Ensino Médio, e dever do Ministério dos Direitos Humanos investir em campanhas de doação de orgãos.