Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 02/11/2020
De acordo com o escritor Álvaro Granha Loregian, “ninguém é tão pobre que nada possa doar e ninguém é tão rico que não precise receber”. De forma análoga ao trecho do autor brasileiro, percebe-se que a questão da doação de órgãos no Brasil envolve grande parcela da sociedade. Entretanto, a respeitável atitude apresenta obstáculos, como a ausência de infraestrutura nos hospitais e a não permissão familiar para a doação. Desse modo, urge a necessidade de mitigar a problemática.
Primeiramente, vale ressaltar que, segundo o filósofo Thomas Hobbes, em sua obra “O Leviatã”, o Estado é a instituição responsável por garantir a fluidez e a harmonia entre a coletividade. Todavia, observa-se que tal assertiva não é colocada em prática, visto que a ausência de infraestrutura nos hospitais públicos dificulta o transplante. Porquanto, as entidades de saúde carecem de instrumentos que conservem as partes do corpo e aparatos para as cirurgias. Dessa forma, conforme a ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos), 70% das unidades corporais doadas não são utilizados a tempo. Nesse sentido, a inércia do Estado favorece diretamente o tráfico de órgãos, já que os pacientes preferem comprá-los, em vez de esperarem em longas filas. Assim, o sistema de doação permanece instável e corrobora para a desigualdade social, dado que os enfermos de baixa renda não possuem dinheiro suficiente para se manterem nos hospitais particulares com planos de saúde.
Outrossim, é válido destacar que a permissão para a doação de órgãos provém da família. Diante dessa perspectiva, o abalo psicológico e emocional dos parentes após a notícia do luto prevalece. Logo, a escolha sobre a doação é incerta, visto que muitos eles não estão aptos para a decisão nesse momento. Dessa manteria, é fundamental que os médicos e enfermeiros tenham o preparo para conversar com essas famílias, esclarecendo guias e formulários para aconselhá-los. Além disso, outro fator que acentua a problemática é o desconhecimento da sociedade sobre o assunto. Conforme o educador Paulo Freire: “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Por conseguinte, o imperito social é relacionado ao pouco diálogo no interesse em ser doador, principalmente nas escolas e em outros ambientes, dificultando essa mudança social.
Portanto, os governos devem administrar uma maior parte do PIB do Estado para o Ministério da Saúde, que poderá potencializar a saúde pública, por meio de economista que distribuirão o montante igualmente para cada município. Isto posto, os hospitais poderão adquirir utensílios que ajudarão nas cirurgias de transplantes e agilizar o processo da conservação dos órgãos. Além de investir, com o mesmo dinheiro, em profissionais de psicologia para auxiliar os familiares durante a decisão da doação. Assim, o Estado estará cumprindo com sua responsabilidade, como proposto por Thomas Hobbes.