Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 27/10/2020

Atualmente, o número de doações de órgãos vem crescendo diariamente. No entanto, este número é relativamente baixo considerando a fila de espera. Dados do Ministério da Saúde afirmam que em dezembro de 2016 havia cerca de 39 mil pessoas na lista esperando por doação. Isso pode ser evidenciado não só pela recusa das famílias em permitir as doações, como à deficiência do sistema de saúde brasileiro.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que a falta de esclarecimento em relação às doações ainda consiste em um obstáculo significativo, deixando a família, que, geralmente, é quem decide sobre a doação, confusa e em uma situação de pressão e medo. Essa situação torna-se mais agravante ao considerar que muitas pessoas tendem a permanecer por muito tempo, aguardando na grande fila por um procedimento. Com isso, muitas pessoas acabam não resistindo e morrendo, na espera de uma chance de vida.

Vale destacar que o diagnóstico de morte encefálica no Brasil é um dos mais seguros do mundo, e são nesses casos que surgem as melhores chances de doação. Desse modo, fatos não divulgados devidamente podem remeter à massificação de uma visão pejorativa sobre o assunto.  Ademais, deve-se analisar a dificuldade de realizar um transplante, sem profissionais, ambiente e equipamentos adequados. Dessa forma, é notório fomentar na sociedade a relevância de se declarar doador de órgãos, uma vez que 1 única doação pode salvar a vida de até 8 pessoas.

Portanto, para que os desafios da doação de órgãos no Brasil sejam superados, cabe ao Ministério da Saúde, criar mais campanhas acerca das doações de órgãos, fornecendo informações, promovendo o conhecimento de tal assunto e um melhor esclarecimento da população. Cabe ao Poder Público, junto à ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos), promover a construção de unidades de transplante em regiões mais diversificadas, com profissionais qualificados, favorecendo o acesso de todos os brasileiros à doação.