Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 02/11/2020
No período de 1960, houve uma evolução nos estudos da medicina no qual permitiram o sucesso nos transplantes de órgãos. Este fato foi um avanço muito importante na expectativa de vida e saúde do ser humano, visto que a doação amplia as possibilidades de recuperação de pacientes com risco de morte por falha nos órgãos. Entretanto, as condições precárias do Sistema Único de Saúde (SUS) e o desconhecimento da população, em geral, a respeito do assunto são problemáticas que dificultam o direito à vida do povo brasileiro.
Nesse contexto, é importante salientar que, segundo os dados divulgados pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), cerca de 90% dos transplantes realizados no Brasil são feitos pelo SUS. No entanto, a falta de profissionais capacitados, por exemplo médicos, enfermeiros e psicólogos, e infraestrutura, como transporte, equipamentos e materiais, são fatores derivados da negligência do Estado ao não investirem monetariamente no sistema público. Consequentemente, violando o direito à vida e à saúde garantidos na Constituição brasileira.
Outrossim, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, conhecimento é poder. Logo, é essencial que as informações sobre a doação sejam dadas de forma respeitosa e clara aos familiares do paciente, no qual tem o direito de escolha no caso de morte encefálica. Dessa maneira, espera-se uma orientação específica ao profissional que lidará com um tópico sensível com indivíduos leigos do assunto, e a compreensão de uma possível negação, para assim, não haver julgamentos e interferência na liberdade de escolha.
Depreende-se, portanto, que é necessário uma atenção maior do Estado na saúde pública. Sob esse âmbito, cabe ao Ministério da saúde, por meio de investimento em verba, criar medidas de aprimoramento na infraestrutura de hospitais que realizam transplantes, e na especialização de profissionais para lidar com os familiares e aumentar as chances de aceitação, a fim de evitar mortes desnecessárias com esse avanço médico.