Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 02/11/2020
Apesar do Brasil ratificar a Agenda 2030 estabelecida pela Organização das Nações Unidas em 2015, que cria uma meta de assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, o Estado brasileiro ainda demonstra uma inércia para solucionar a lacuna da doação de órgãos na sociedade brasileira. Logo, as negligências afetam o direito à vida e a transplante de órgão no Brasil.
Primeiramente, destaca-se o Artigo 5 da Constituição que garante aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, todavia, a defasagem em não cumprir a lei federal contribui para a ineficácia do transplante de órgão, assim como, em um ano, 2,3 mil pessoas morreram à espera de um transplante no país, bem como há mais de 31 mil pacientes na lista de espera em todo o Brasil, segundo dados fornecidos pelo Ministério da Saúde. Tendo o exposto em vista, é de salientar que o negligenciamento do Estado em não cumprir a Constituição garante que não há vontade política para extinguir esse imbróglio.
Ademais, é imperativo ressaltar que a falta de estrutura na área da saúde atrapalha na doação de órgãos. Como resultado, verifica-se que o país desperdiça 50% dos órgãos para o transplante por consequência da precária infraestrutura hospitalar, seguidamente, a concentração de recursos contribuem para que Regiões Norte e Centro-Oeste juntas somam apenas 11,8% dos serviços de transplantes de órgãos sólidos no país, dados do Ministério da Saúde. Em suma, é notório que as longas filas de espera, ausências de especialistas e de psicólogos e terapeutas para auxiliar a família no processo, contribuem para a precariedade do setor.
Portanto, urge o Ministério da Saúde para potencializar projetos que visam o aumento de doações de órgãos por meio de campanhas publicitárias em rádios e televisões para conscientização da sociedade como também, o aumento de verbas federais para os Estados que possuem menos capacidade para o transplante de órgãos, para erradicar a ineficiência e o melhoramento da capacitação dos profissionais de saúde.