Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 10/11/2020
No filme “Um ato de coragem”, o filho de John Archibald, Mike, precisa, com urgência, de um transplante de coração. Desesperado por não ter condições de pagar a cirurgia ao filho, John torna refém toda a equipe de um hospital até que o nome de Mike seja colocado na lista de transplantes. Fora das telas, é fato que casos semelhantes ao apresentado no longa são reais: devido não só à falta de incentivo governamental, mas também à imprecisão de diagnósticos de morte encefálica, condição essencial para ser doador, pessoas com pouca esperança lotam a fila de espera de transplante de órgãos do Sistema Único de Saúde do Brasil, o SUS.
Em primeira análise, nota-se que o incentivo governamental é fundamental para maximizar o número de órgãos disponíveis. De acordo com dados de 2018 da ABTO, Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, 43% das famílias negaram a concessão dos órgãos de seus parentes, mesmo com morte encefálica comprovada. Sendo assim, por ser a família do potencial doador quem decide se os órgãos serão doados ou não, o incentivo governamental é importantíssimo para garantir a maior quantidade possível de órgãos aptos ao transplante.
Ademais, percebe-se que a imprecisão de diagnósticos de morte encefálica diminui, e muito, o número de possíveis doadores de órgãos no Brasil. Consoante a ABTO, apenas 70% das mortes encefálica no Brasil são diagnosticadas. Consequentemente, menos pessoas que poderiam vir a se tornar doadoras, realmente se tornam, uma vez que a morte encefálica é condição essencial para ser doador e, com menos pessoas diagnosticadas, menos concessores.
Portanto, medidas são necessárias para que o descaso com os pacientes presentes na lista de espera de transplante do SUS seja exterminado. Por conseguinte, o Ministério da Saúde deve, por meio de parcerias com empresas de telecomunicação, veicular palestras em canais abertos de televisão, alertando para o fato de a doação de órgãos ser de suma importância para salvar vidas, com discursos de profissionais da saúde, como médicos e enfermeiros. Com isso, espera-se que mais pessoas juntem-se à causa da doação de órgãos, e que pessoas como Mike consigam voltar a ter uma vida normal.