Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 11/11/2020
No longa metragem japonês “I Want to Eat Your Pancreas”, é retratada a história de Sakura Yamauchi, uma jovem diagnosticada com câncer de pâncreas, que, caso não receba um transplante, morrerá em pouco tempo. De maneira análoga à história fictícia, a questão do transplante de órgãos ainda demonstra um problema, tendo em vista que apenas uma ínfima parcela da população demonstra a intenção de doar órgãos. Esse cenário negativo é fruto não só do deficitário incentivo à doação de órgãos como também da legislação vigente.
Em primeiro plano, evidencia-se, por parte do Estado, a ausência de esforços para a conscientização da população sobre a importância do transplante de órgãos após a morte. Segundo Paulo Freire - patrono da educação brasileira - a educação é um fator essencial para a mudança da sociedade. Entretanto, em desacordo com os ideais do pensador, o transplante após a morte é pouco abordado na sociedade, sobretudo nas escolas, configurando um grande empecilho para o aumento do número de doadores, já muitos possíveis doadores não têm conhecimento da importância desse ato.
Em segundo lugar, nota-se a legislação ineficiente como outro fator impulsionador do problema. Nesse sentido, cabe ressaltar que para que haja a doação de órgãos post mortem, é necessária a aprovação da família do indivíduo em questão, mesmo que esse demonstre intenção para a concretização da doação. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, no ano de 2018, no Brasil, cerca de 40% das famílias recusaram a doação de órgãos de seus relativos após a morte encefálica destes, fato que comprava o infeliz quadro presente na sociedade brasileira, em que famílias não permitem a efetivação de um ato altruísta.
Portanto, é necessária a atuação estatal para a resolução do problema. Para tanto, urge que o Ministério da Educação(MEC), em parceria com as Secretárias de Educação, promulgue medidas para a conscientização da população. Tais medidas devem ter enfoque nos jovens, para que esses, além de se tornarem possíveis doadores, possam levar esse conhecimento às suas famílias, informando-as e reduzindo um dos promotores do problema: a negativa familiar. Dessa forma, uma parcela cada vez menor da população precisará sofrer devido à falta de transplantes.